segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012, o ano perdido




Olimpio Guarany

Quem apostou que o mundo acabaria ao final deste ano, quebrou a cara. Sabe-se lá quem disse que os Maias previram o fim do mundo. O certo é que atribuiram àquela civilização avançada que existiu na América Central, a previsão que não se concretizou.
Trazendo para nossa realidade,  não precisou acabar o mundo para constatarmos que em 2012 passamos por um verdadeiro inferno astral.
Mesmo chegando salvos , precisamos refletir sobre o que vivemos nesse segundo ano do atual Governo. Um periodo em que se registrou um retrocesso politico e econômico, a começar pelo estremecimento das relações com os demais poderes e com parte da sociedade, para sermos benevolentes na avaliação.
Foi o ano em que o Governo litigou com diversas categorias, cruciais para o andamento e conquista da paz social. O embate com os professores provocou um prejuizo sem precedentes para alunos, pais, professores e para boa parte da sociedade.O estrangulamento do ano letivo comprometeu, certamente, a qualidade do ensino.
O choque com os médicos causou um estrago indimensionável, especialmente para quem precisa do atendimento da rede pública. Em meio a crise, veio à tona uma enxurrada de denúncias que revelaram o descalabro na saúde publica do Amapá.
O Estado como principal indutor da economia, força motora capaz de mover grande parte do sistema economico estadual, falhou no planejamento e execução orçamentária-financeira. Atrasos de toda ordem, deixaram fornecedores, principalmente pequenos e médios, sem receber o que resultou na ruptura e comprometimento de determinados serviços considerados essenciais. 
A falta de capacidade de gestão em diversos segmentos, frustrou a expectativa de quem depende e dos que esperavam tanto do atual Governo. 
A primeira reforma anunciada pelo governador Camilo Capiberibe criou muita expectativa, mas foi timida diante da necessidade requerida para a mudança de rumo. Para passar nesse gargalo, no pouco tempo que resta para  o atual Governo , seriam necessárias medidas, talvez, radicais.
O balanço, a grosso modo, é negativo e  foi capitalizado pela dobradinha PSB-PT, responsável pelo Governo Estadual que acabou acumulando um desgaste politico imensurável.
Ademais,  que nos salvemos todos em 2013.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário.

Marcos Reategui assume a Cia Docas de Santana


Nas Docas 

Marcos Reategui, ex-Procurador do Estado, será o presidente da Companhia Docas de Santana. A escolha pessoal do prefeito Robson Rocha (PTB) teve como principal requisito o preparo e capacidade gerencial. Marcos Reategui assumirá a mais importante instituição, sob a égide da prefeitura de Santana. É hoje, sem dúvida, uma das principais ferramentas para alavancar o desenvolvimento de Santana e do Amapá.

Notas da coluna OLIMPIO GUARANY ESCREVE, em A Gazeta



Aviso aos navegantes

A Justiça Eleitoral o prazo até o dia 25 de abril de 2013 para quem não votou nas últimas três eleições regularizar sua situação. A multa é de R$ 3,50 por eleição. Quem não se acertar, terá o titulo cancelado.


E dai?

Pode ser pouco o valor da multa, mas as consequencias são uma dor de cabeça para o eleitor. Por exemplo: Quem  não estiver quite com a Justiça Eleitoral não pode tirar passaporte ou carteira de identidade, receber salários de função pública, nem ser nomeado, no caso de aprovação em concurso público.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Notas da coluna OLIMPIO GUARANY ESCREVE, em A Gazeta.


Em alta 
O prefeito de Cutias do Araguari, Paulo Albuquerque, dá exemplo de como se encerra um mandato com dignidade. Entrega a cidade com a maioira das ruas e avenidas pavimentadas, com sistema de drenagem, escolas, postos de saude todos equipados. O municipio está adimplente junto aos governos federal e estadual, pronto para celebrar convênios e ainda com R$ 15 milhões em projetos aprovados, a maioria em andamento e dinheiro em caixa.
Prefeito Paulo Albuquerque e a primeira dama Dra. Liliane

Chave de ouro
Quando todo mundo fala de potencialidade do turismo no Amapá e ninguem faz nada, nem ao menos se sabe em que e como investir, Paulo Albuquerque, prefeito de Cutias, no apagar das luzes, entrega o primeiro Diagnóstico Turistico do municipio realizado com recursos do Ministério do Turismo. O documento revela as potencialidades e aponta as alternativas de investimentos e até plano de marketing.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os desafios de Clécio


Olimpio Gurany

O prefeito que assume dia primeiro de janeiro é conhecido da sociedade amapaense. Clécio foi forjado nas lutas estudantis, entrou para militância partidária e foi eleito vereador. Agora virou prefeito da capital, um municipio que concentra a maior parte dos habitantes do Estado, portanto o que também  abriga as maiores demandas e os maiores problemas. 
Governar Macapá onde menos de 5% da população é servida com rede de esgoto e cerca de mais da metade não possui agua encanada, classificada entre as que detém os piores indicadores sociais do país, portanto com baixa qualidade de vida, é um grande desafio.
Como enfrentar esses desafios? Dificil de responder, todavia se tomarmos os numeros e estabelecermos as proporções, vamos verificar que quem tem um orçamento de um pouco mais de 10% do orçamento estadual e concentra mais de 70% da população não tem como fazer milagre. Apesar de manter a gana pelo trabalho, Clécio vai assumir o comando de um dos piores municipios do país em capacidade de arrecadação, meio indispensável para atender os seus fins; um municipio usurpado no direito de receber a parte que lhe cabe na receita do Estado. 
De posse de um diagnóstico sombrio, Clécio precisa ter a consicência de que terá que desprender mais horas de trabalho do que o normal para, no primeiro momento, buscar o equilibrio financeiro da prefeitura. Isso pode levar tempo, talvez mais do que os 100 dias fatidicos. 
A primeira ordem é arrumar a casa e, dependendo de como está, pode demorar mais do que se pensa. Os desafios precisam ser elencados e, não necessáriamente por essa ordem, vai ser preciso, de imediato, sair da inadimplência sob pena de não poder receber recursos federais; organizar, azeitar e fazer funcionar a máquina arrecadadora; organizar e botar pra trabalhar os recursos humanos; conversar e renegociar com credores ; estabelecer uma boa relação com a Câmara e convencer o Governo do Estado a assumir a sua parte, seja na perceria seja individualmente, no que diz respeito as demandas da população que paga impostos estaduais, mora na capital e precisa de serviços e equipamentos urbanos que também competem ao Estado.
No mais, é  lembrar o estadista francês Charles De Gaull que disse: “os desafios foram feitos para serem enfrentados e os obstáculos para serem ultrapassados”. Allez, Clécio.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Biólogos dizem que o impacto da hidrelétrica na cachoeira de Santo Antonio é grande.


Cachoeira

Quem esteve no médio rio Jari diz que a cachoeira de Santo Antonio secou. Técnicos da empresa que está construindo a hidrelétrica dizem que o desvio do rio vai durar o tempo necessário para concluir o reservatório e que o rio voltará ao seu curso normal retomando o espetáculo da cachoeira.

Dúvidas

Dois biólogos que esteiveram na semana passada no Jari afirmam que o impacto sobre a vida no ambiente do curso do rio é muito grande e que o estrago é indimensionavel. “O leito do rio está seco por causa do desvio e não há garantia de retomada da vida nas mesmas condições de antes”, diz um deles.

PAC

O BNDES acaba de garantir mais de R$ 700 milhões para financiar parte da construção da hidrelétrica de Santo Antonio. A geradora será integrada ao sistema nacional e toda a energia a ser produzida já foi comercializada para usuários de fora do Amapá.

Clécio anuncia secretariado




Será na quarta o anuncio dos nomes daqueles que comporão o primeiro escalão de auxiliares do prefeito Clécio Luis (PSOL). Evento será no auditório da Caixa. Mesmo quem anda colado ao prefeito não conseguiu ter acesso a lista. Os nomes estão sendo guardados a 50 chaves, mas há quem garanta que Clécio vai honrar os compromissos firmados com os aliados que o ajudaram na eleição.

Notas da coluna OLIMPIO GUARANY ESCREVE, em A Gazeta


Diplomação

Simples, direta e sem firulas. Foi outra dentro do TRE na organização da diplomação do prefeito Clécio Luis, do vice Allan Sales e dos 23 veredores. Uma solenidade que não cansou e contou com publico superior a capacidade do teatro. Além das 700 cadeiras, os corredores ficaram lotados.

Exortação ao trabalho

Clécio Luis foi objetivo no discurso, até porque o cerimonial limitou o tempo. Reiterou que sabe das dificuldades que vai enfrentar, não garantiu se será o melhor ou o pior, mas disse que é o novo e garantiu que vai trabalhar e exigir da equipe o compromisso de vestir e suar a camisa.

Os vereadores 

Macapá terá uma Câmara Municipal renovada  com estreiantes e jovens. Na diplomação foi esse semgmento que levou familia e claque para festejar juntos. Os veteranos estavam mais comedidos. Aline Gurgel (PP), uma das novatas, foi escolhida para discursar em nome dos demais. Discurso escrito para não correr risco de falhas e nem de extrapolar o tempo determinado pelo cerimonial. Saiu-se bem.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quem paga a conta?



Olimpio Guarany

Pronto. O Governo do Estado não está sozinho na barca da federalização da CEA. A Assembléia Legislativa deu o aval ao aprovar o pacote de leis que autoriza o Executivo a “zerar” a Companhia e entregá-la ao Governo Federal. 
Desde o inicio da década de 1990, tento buscar na minha memória sem, no entretanto, conseguir me lembrar de algum Governo que se esmerou em fazer investimentos e tocar a administração da CEA  de modo que ela pudesse atender as necessidades da população de forma séria.
Há bem pouco tempo, época em que os atuais, governador Camilo Capiberibe (PSB) e o secretário estadual de Infraestrutura  Joel Banha(PT) eram adversários na Assembléia, vimos um arranca rabo com acusações dos dois lados. De um, Camilo sentando a pua em Joel, taxado-o de incompetente quando presidente da estatal, de outro Joel espetando Camilo ao atacar o pai, o ex-governador João, de ter se benficiado politicamente da Companhia. Ambos acusados de irresponsáveis.
Quem teve acesso aos numero do diagnóstico feito pela Eletrobras, se arrepia ao constatar tantas barbaridades cometidas pelas gestões da CEA. Resultado: a empresa se tornou insolvente, com patrimônio apodrecido pelo alto grau de endividamento, baixo investimento, incapaz de sobreviver. 
O que causa espécie é o fato de os Governos - os que passaram e o atual - não terem se articulado ou não se interessarem no sentido de  buscar solução para um problema que se arrasta há 20 anos e que, fatalmente, chegaria a esse ponto.
E mais, de uma hora para outra, a solução foi encontrada. Mas, a que preço?
É ai que a porca torce o rabo. Para se livrar do fardo, o Governo do Estado terá que perder o controle da empresa; absorver o seu quadro de pessoal efetivo e endividar o estado em  R$ 1 bilhão e 400 milhões. Ora, se livrar de algo podre que não vale nada, tudo bem. Absorver menos de 100 funcionários não é problema para quem já tem mais de 15 mil, mas, endividar um Estado pobre, onde a rede de saude, quase que totalmente sucateada, não funciona; um Estado que não atende sequer as necessidades mais básicas como abastecimento de água e esgoto; incapaz de produzir o minimo de alimentos para abastecer seu mercado interno, onde se verifica deficiência em quase todos os setores; não tem estrutura para suportar uma divida dessas.Se comprometer com uma divida dessa envergadura é condenar a população a privação do atendimento das suas minimas necessidades. 
Para se ter uma idéia, a uma taxa de 8% ao ano, a taxa selic estipulada pelo Governo Federal, só de juros em um ano, teriam que sair dos cofres públicos estaduais algo em torno de R$ 112 milhões. Como suportar, se hoje o Governo diz que não consegue pagar suas contas com o que arrecada? Tomar esse empréstimo é a certeza de piorar ainda mais o quadro, uma vez que essa operação terá como garantia a transferência do FPE que será repassado, já descontada a parte que cabe ao agente financeiro.
Ao final, coube a Assembléia Legislativa aprovar a federalização, mesmo com  emendas como a que concede 20% do controle da empresa ao Estado, ou seja, a quem não vai apitar nada , e avalizar a iniciativa do Governo do Estado de se criar mais cabide de emprego; um novo trem da alegria e o aumento do endividamento.
A nós, pobres mortais contribuintes, cabe pagar as contas.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Notas quentes da coluna OLIMPIO GUARANY ESCREVE, em A Gazeta 5.12.2012


Restos a pagar
No primeiro dia de trabalho da equipe de transição de Clécio Luis, os números da divida do municipio começaram a brotar. A primeira parcial revela que a prefeitura de Macapá deve algo em torno de R$ 78 milhões de reais.
Créditos a receber
Em contrapartida, no primeiro levantamento, se constatou que o Governo do Estado deixou de repassar cerca de R$ 17 milhões que seriam das retenções do ISS das prestadoras de serviço. Fontes da PMM dizem que a divida do Estado para com o municipio é muito maior.

Eminência parda
Gente que acompanha os movimentos dentro do Palácio do Setentrião diz que o governador Camilo Capiberibe tem chamado Claudio Pinho para ouvi-lo sobre possiveis nomes para formar no primeiro time do Governo, na aguardda reforma administrativa.
Fortalecido
O senador Randolfe Rodrogues (PSOL) obteve mais uma vitória dentro do seu partido. Acabou de uma tacada só com o movimentos dos psolistas paraenses que questionavam as alianças feitas pelo PSOL em Macapá que ajudaram na eleição de Clécio Luis.
Presidenciável
Ivan Valente, presidente nacional do PSOL, teria confidenciado a amigos próximos que se Randolfe Rodrigues continuar na ascendete e ganhar mais espaço na politica nacional, será fortalecido para ser o nome do partido para disputar a presidência da república em 2014.
 A hora da onça beber agua
Hoje o Tribunal Regional Eleitoral vai decidir sobre a ação do Ministério Público que questiona o aumento de 16 para 23 cadeiras na Câmara de Vereadores de Macapá. O relator é o desembargador Luiz Carlos.
CNJ
O Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP) ajuizou ação para tentar mudar o edital do concurso do Conselho Nacional de Justiça para técnico e analista judiciário, cujas provas estão marcadas para serem realizadas só em Brasilia. O MPF/AP quer que o concurso seja feito em todo o país. 

Amazonia, o fim



Nos últimos 40 anos os governos brasileiros implementaram planos de ação com o objetivo de desenvolver a Amazonia, talvez para tentar fazer frente as “ameaças” internacionais. Ocorre que todas essas investidas resultaram em desastre. O retrato dessas politicas míopes de ocupação da Amazonia acaba de ser revelado pela Rede Amazonica Socioambiental Georreferenciada, formada por instituições da sociedade civil e de pesquisa na região, através do atlas intitulado “Amazonia Sob Pressão” que está sendo lançado hoje, durante o Fórum Amazonia Sustentável, em Belém do Pará.
Tive o privilégio de ver o atlas antes do lançamento e logo senti como se o sangue tivesse fugido das minhas veias, tamanho o susto, face a gravidade das informações.
Os dados revelam que no periodo de 2000 a 2010 foram desmatados 240 mil kilometros quadrados de floresta amazônica, o que representa uma área do tamanho do estado de São Paulo ou a totalidade do território do Reino Unido. O estudo alerta que se as ameaças identificadas em projetos rodoviários (estradas ou multimodais), de petróleo e gás, mineração, hidrelétricas se tornarem pressões no futuro próximo, até metade da Amazônia atual poderia desaparecer.
Há uns dois meses lí o livro do jornalista Juan Carlos Cal, do jornal El Mundo, da Espanha, intitulado “El Traspasado Corazón del Mundo” em que ele destaca um estupendo arco de desmatamento que se estende do Brasil para a Bolívia, uma área de pressão sobre água, de exploração de petróleo na Amazônia Andina, especialmente no Equador,  e um anel periférico de mineração altamente impactantes.
As pressões e ameaças à Amazônia mostram que as paisagens de floresta, da diversidade socioambiental e de água doce estão sendo substituídas por paisagens degradadas, áreas de savanas, extensões de terras secas e mais homogêneas, graças aos pontos de pressão e ameaça através de projetos de estradas, petróleo e gás, hidrelétricas, mineração, desmatamento e focos de calor.
O estudo é relevador e põe os dirigentes dos paises amazonicos, aí incluidos o Brasil, o Peru, a Bolivia, o Equador, a Colômbia e a Venezuela na parede e sugere um redirecionamento das politicas para a região. Esse atlas pode ser um balizador para tomada decisão, mas se nada for feito e se todos os interesses econômicos que se sobrepõem se concretizarem nos próximos anos, a Amazônia vai se tornar uma grande savana com focos de floresta e as gerações futuras, de um futuro não muito distante, vão sofrer as consequencias. 
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário, ambientalista e professor universitário

domingo, 25 de novembro de 2012

FPE ameaçado


Olimpio Guarany

Pouco ou quase nenhuma importancia se tem dado a questão do Fundo de Participação dos Estados após decisão do STF de declarar inconstitucional o critério atual de distribuição desse Fundo, considerado a parte mais importante do bolo de arrecadação dos estados das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. Não custa nada lembrar que o Supremo Tribunal Federal deu prazo até o final de 2012 para o Congresso definir e aprovar o novo critério de partilha do FPE.
Trago este assunto para discussão porque a reclamaçào do governo do estado de que as transferências do FPE cairam causando impacto devastador na arrecadação, o que estaria causando transtornos e impedindo o Governo de cumprir seus compromissos com forneedores de bens e serviços e obrigando a reduzir os repasses aos demais poderes, casos do Judiciário e do Legislativo e de orgãos auxiliares da administração pública como Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.
No caso do Amapá, o FPE responde por mais de 50% do orçamento da receita. O Tesouro Nacional justifica a redução desses repasses na renuncia fiscal que o Gverno Federal tem feito para beneficiar a industria de automóveis e da linha branca instaladas na região Sudeste do país. Para se ter uma idéia, até outubro a União havia deixado de arrecadar cerca de R$ 45 bilhões de IPI, um dos impostos que formam o FPE .As regras atuais de partilha do FPE determinam que a União deve retirar 85% do total do Fundo para serem distribuidos aos estados do Norte, Nordeste e Centro Oeste e o restante dividido entre os estados do sul e sudeste. Pelo atual critério dá para ver que o FPE tem impacto altamente significativo no bolo de arrecadação dos estados mais pobres do país.
Independente das propostas para a revisão e definição dos novos critérios de distribuição que estão tramitando no Congresso, entre elas uma do senador do Amapá, Randolfe Rodrigues, que repera distorções no atual modelo, os governos dos estados que dependem desses recursos devem se mobilizar junto ao presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), para que ele solicite ao Supremo a prorrogação do modelo atual até que o Congresso discuta e vote os novos criérios de distribuição. Do contrário, os repasses aos Estados serão suspensos no final deste ano, o que tornará o desastre maior ainda.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

NOTAS DA COLUNA OLIMPIO GUARANY ESCREVE, EM A GAZETA


Corrida contra o tempo

A equipe de transição do prefeito eleito Clécio Luis (PSOL) descobriu que a prefeitura está inscrita em dois programas do PAC que podem render investimentos de R$ 19 milhões, em pavimentação saneamento e abastecimento de água. Todavia vai precisar de interesse da atual equipe de Roberto e dedicação da equipe de Clécio. O prazo para a entrega dos projetos é dia 23, sexta. Se não forem entregues os projetos, o municipio perde tudo.


Governo x Assembléia

Ainda vai render o arranca rabo entre o Governo do Estado e a Assembléia Legislativa. Essa semana o governador Camilo Capiberibe voltou a carga cobrando da AL celeridade para aprovação dos projetos, entrre outros, o que autoriza a operação de crédito para a captação de 1 bilhão e 400 milhões para pagar as contas da CEA.

Assembléia x Governo

O deputado Junior Favacho (PMDB), presidente da Assembléia, reage dizendo que é preciso cautela. O assunto está sendo examinado à exaustão pelas Comissões Permanentes da Casa e os deputados colhem o máximo de informações para tomarem a decisão com segurança, disse.

Recursos para o Amapá

O deputado Evandro Milhomem (PCdoB) coordenador da bancada federal, se reune na terça, 20, em Brasilia com toda a bancada e com os prefeitos eleitos e releitos dos municipios do Amapá. Objetivo é discutir as emendas ao orçamento geral da União para 2013. Vou ficar ligado para saber se alguem vai faltar.

Amazontech

O Sebrae/AP mostrou que tem now how para organizar eventos. O sucesso do Amazontech 2012 refletiu a competencia, capacidade de planejamento e coordenação. Unifap, Embrapa e GEA contribuiram, mas a execução do projeto pilotada pelo Sebrae refletiu no desdobramento positivo.

Tecnologia

Inovações tecnológicas para solução de problemas e avanços em áreas especificas da Amazônia como, por exemplo, o bioinseticida desenvolvido pela Embrapa do DF, merecem aplausos, mas não vi propostas de soluções para a produção da farinha, componete indisensável no cardápio dos amazonidas.

Por que a Farinha?

Por que vivemos uma crise de produção e abastecimento desse produto. Na semana passada escrivi um artigo levantando esse tema. Hoje cerca de 60% do que consumimos vem de outros estados, até de Pernambuco. Ai o recado é para a Embrap. Precisamos de soluções tecnologicas para melhorar a produtividade, a qualidade, a produção  e, consequentemente, o abastecimento de farinha no nosso mercado.

Diabetes
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 346 milhões de pessoas no mundo são diabéticas e grande parte destas pessoas não sabe que já tem a doença. A estimativa é de que, até 2025, esse número aumente para 380 milhões. No Brasil, a ocorrência média de diabetes na população adulta (acima de 18 anos) é de 5,2%, o que representa 6.399.187 de pessoas.

Diabetes - Entrevista com Dr. Wild Cavalcante


Diabétes

No último dia 14 foi celebrado o dia  mundial de combate ao diabetes. Hoje abri mão de escrever meu artigo para reproduzir a entrevista concedida a mim, na TV, por um especialista, o médico endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o Dr. Wild Cavalcante.


Olimpio Guarany: O que é o diabetes?

Dr Wild Cavalcante: O diabetes faz parte de um grupo de doenças metabólicas em que há um distúrbio, um erro no metabolismo no corpo referente à glicose, ao açúcar no sangue. O indivíduo deixa de ter insulina – hormônio que queima essa glicose, que diminui esse açúcar do sangue. Então o indivíduo pode ter um erro de fabricação ou um erro na ação dessa insulina. Desse erro pode ter o diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2 .

OG: Como pode-se identificar quando é diabetes tipo 1 ou tipo 2?

DWC: O mais comum hoje é o tipo 2, que está relacionado com o ganho de peso, à obesidade, à pressão alta, com o colesterol alto. Esse é o diabético que era conhecido antigamente como não insulino-dependente. O quadro da doença não revela sintomas, quando ele vai sentir, geralmente cinco anos depois da doença que não foi diagnosticada,aí ele pode ter alguma complicação, ou com uma doença renal ou uma doença na retina do olho.
Já o diabético tipo 1 é o contrário, é aquele que era conhecido antigamente como o insulino-dependente, que acomete mais as crianças e jovens.

OG: O diabetes tem cura?

DWC: Cura é um nome que a gente ainda não pode usar hoje, há estudos que estão propondo a cura – estudos com diabéticos tipo 1, com células-tronco. Tem tratamento e tem controle.

OG: O que as pessoas devem fazer para identificar se elas têm a doença ou não? Existe uma idade limite em que a pessoa deve fazer o exame?

DWC: Por ser uma doença silenciosa,você faz o chamado rastreamento. E essa busca é feita nos postos de saúde, na atenção básica, no PSF. A equipe de saúde tem que saber identificar o grupo de risco, quem é que tem a chance de ser diabético.O principal fator de risco é a obesidade, geralmente é hipertenso, sedentário, maior de 45 anos. 

OG: Por exemplo, um adolescente, como os pais podem identificar ou procurar o serviço de saúde para fazer os exames para tentar detectar o diabetes?

DWC: Existe o tipo 1, que é comum em criança e adolescente, ele já abre o quadro com esses sintomas e os familiares já vão identificar, porque há uma perda de peso, tem um excesso de sede, a criança urina muito à noite.

OG: O que as pessoas devem fazer para prevenir?

DWC: Controlar o peso, estimulando a atividade física, com isso você não está gastando dinheiro. Para cada paciente tratado o valor é seis vezes maior do que o gasto para a prevenção.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

NOTAS DA COLUNA OLIMPIO GUARANY ESCREVE, EM A GAZETA


Conhecimento 

Haroldo Pinto, superintendente do SESI/AP está em São Paulo representando a instituição no evento de maior envergadura do sistema “S”, a Olimpiada do Conhecimento que reune competidores de todos os estados brasileiros e de outros paises latino americanos.

Cassação 

O Ministério Público Eleitoral colocou lupa em cima de alguns candidatos que teriam usado de meios escusos para ganhar a eleição. Deu o que falar na midia ontem, a ação dos promotores André Araujo e Ubirajara Valente que investigam a vereadora eleita Neuzinha do PSB acusa de abuso do poder economico, boca de urna e compra de voto.

O fato

Às vésperas da eleição a Policia Federal deu uma batida nas casas de Neuzinha e  de Juliete Ataide Costa uma integrande de sua equipe de campanha. Nas duas residencias encontrou dinheiro, tickets de combustivel e material de campanha. Se Neuzinha  rtiver o registro cassado Yuri Pelaes, filho da deputada Fátima Pelaes será o beneficado.

Amazontech 2012 

Com prenúncio de sucesso absoluto foi aberta ontem a feira de Ciência e Tecnologia da Amazonia, Amazontech. Hoje, só no Sambódromo serão 35 atividades, e mais três na Fecomércio e Cidade do Samba. O evento é coordenado pelo Sebrae com participação da Unifap, Embrapa e GEA.

Avanço 

O reitor José Carlos Tavares comemora a inauguração de dois centros de pesquisa na Universidade Federal do Amapá. Um será destinado a pesquisa arqueológica. Dentro do campo da Unifap foi encontrado um sitio. O outro é o Centro Integrado que vai reunir outros segmentos da pesquisa.

Vestibular

A segunda etapa do vestibular da Unifap foi adiado para a primeira quinzena de dezembro. Esta semana será definida a data. A mudança ocorreu para que a instituição se enquadre na nova lei de cotas sancionada este ano pela presidente Dilma Roussef. Inicialmente 12,5% das vagas serão destinadas a alunos da rede publica, negros e indios.

Porto

Raul Sá, presidente do Conselho da Autoridade Portuária está no Amapá. Hoje ele preside a reunião do CAP, nas Docas de Santana. Ainda ontem foi confirmado interesse de grupo do Espirito Santo em instalar um novo sistema de tancagem. Outra boa noticia dá conta de que a empresa Caramuru, fabricante de uma linha de produtos comestiveis, pretende construir dois silos nas imediações porto de Santana.

O Preço do atraso


Olimpio Guarany

Essa semana a farinha chegou a ser vendida a R$ 7,00 o kilo. O espanto foi geral. Mas por que os preços subiram tanto? A resposta está numa lei básica da economia: a procura maior do que a oferta. Mas não é só isso. Há outros fatores determinantes para a crise de abastecimento da farinha. Faz muito tempo que o Amapá não consegue produzir farinha suficiente para atender sua demanda interna. Hoje, mais de 60% do que consumimos vem de outros estados, especialmente do Pará. Isso pode ser resultado de uma politica agricola inadequada ou ausência de politica agricola.
Não precisamos ir longe para constatarmos que ainda se utilizam formas rudimentares na produção de farinha. Acredite se quiser, em pleno séciulo 21, no momento em que o mundo acelera as soluções tecnologicas para quase todas as atividades produtivas, ainda fazemos farinha como nossos antepassados, como aqueles encontrados aqui à época do descobrimento.  Do cultivo da mandioca à finalização do produto, quase nenhuma inovação se verificou. É muito atraso. Mas, afinal, a politica é inadequada ou inexistente? Qualquer que seja o predicado vai dar no mesmo. Segundo o secretádio estadual de Desenvolvimento Rural, 94% do orçamento da secretaria são destinados para pagar o transporte dos pequenos agricultores para as feiras de terça e quinta na capital. E o pior é que esses agricultores tem renda muito baixa. Levantamento da SDR revela que a grande maioria deles não apura, liquido, o equivalente a um salário minimo. E, quais as variavéis determinantes para esse atraso? Por exemplo, a inacessibilidade  ao crédito que ocorre porque os agricultores sequer são donos de suas terras, logo não podem oferecer garantias ao financiador. O desconhecimento de técnicas modernas, por falta de assistência técnica. Resultado: baixa produtividade, inferior qualidade dos produtos, pouca rentabilidade. Imaginem se esse agricultores tivessem que pagar o transporte de para vender seus produtos na cidade? Não é necessário ser economista para responder que o resultado seria déficit, prejuizo na certa. 
Mas, o que fazer com os míseres 6% restantes do orçamento? Nada. Ou se repensa o orçamento e a gestão, e se adota uma politica agricola coerente ou, na ponta do processo, o consumidor vai pagar o preço do atraso.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CEA, a bomba


Olimpio Guarany

Alegando estarem insatisfeitos com os dados que lhes chegaram às mãos, deputados estaduais foram a Brasilia tentar saber mais sobre a real situação da CEA. Para eles não deu para engolir o projeto enviado pelo Executivo que autoriza o Governo do Estado a fazer empréstimo de R$ 1 bilhão e 400 milhões junto ao BNDES para sanar as dividas da Companhia. É muito dinheiro. O Amapá é um estado pequeno, carente, cheio de problemas, e ainda ter que se endividar dessa forma é um risco do tamanho do mundo.
Está parecendo fácil demais resolver o problema desse jeito. 
Entendo diferente. É preciso se aprofundar, discutir mais, trazer a sociedade civil para o debate. Melhor seria se essa tão propalada divida de mais de R$ 1 bilhão fosse auditada por uma empresa respeitada. É preciso se saber a fundo se esses valores estão certos, se as taxas aplicadas estão corretas e se são justas.
Mesmo que ao final seja apurado todo esse valor, o Amapá não tem como suportar tamanho endividamento. Um Estado onde a rede de saude, quase que totalmente sucateada não funciona; um Estado que não atende sequer as necessidades mais básicas como abastecimento de água e esgoto; onde se verifica deficiência em quase todos os setores, não tem estrutura para suportar uma divida dessas.
É necessário peneirar mais. Por exemplo, responsabilizar aqueles que atuaram de forma irresponsável na gestão da Companhia. É certo que isso não trará de volta os recursos que por acaso tenham sido mal aplicados.
O que me causa espécie é que não vi nenhuma articulação para se encontrar uma solução politica para o problema. Quantas outras situações mais graves se verificou neste país nos últimos 20 anos e sempre se encontrou uma saida politica?
Na época do governo do Fernando Henrique, quando ocorreu a quebradeira nos bancos, logo se criou o Proer, um plano de recuperação de arrancou bilhões de reais do tesouro. No governo Lula se perdoou a divida de paises até da Africa, se gastou os tubos com socorro  ao Haiti, e abriu mão da receita de outros bilhões de reais através de renúncia fiscal quando a crise economica mundial bateu na nossa porta. Agora no Governo Dilma não é diferente. Só neste ano o Brasil renunciou a receita de R$ 45 bilhões para incentivar a industria e combater os efeitos da crise. Tudo isso foi resultado de boas e bem feitas articulações politicas.
Então, por que não se movimentar e propor a entrega da CEA ao Governo Federal sem que isso onere ainda mais o povo do Amapá? Com a palavra os politicos, do governador, cujo partido faz parte da base do Governo Dilma, até a bancada federal. Não deixem que essa bomba exploda na cabeça do nosso povo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sucessão 2014


Olimpio Guarany

Era inevitável que um dia após a apuração dos votos que deram a vitória a Clécio Luis (PSOL)  viesse à baila a disputa eleitoral que ocorrerá daqui a dois anos. Nem é de se estranhar, afinal essas eleições municipais serviram, digamos, de preliminar para o jogo eleitoral de 2014. O cenário não será tão diferente daquele que foi pintado antes do pleito municipal. Lá atrás já tratamos disso e o desenho se mantém. O que alterou foi a correlação de forças. Diziamos que, dependendo do resultado, os pesos dos grupos politicos envolvidos na disputa se alterariam.
É certo que o bloco que gravitou em torno da campanha de Clécio saiu fortalecido. Aliás, os partidos que estiveram com Clécio no segundo turno são os mesmos que concorreram para a vitória de Robson Rocha (PTB), em Santana, o segundo maior municipio do estado, exceto o PCdoB. Dai pode-se concluir que, detendo o controle das duas maiores prefeituras do Estado, esse novo vetor terá caminho próprio em 2014. E não poderia ser diferente. Esse grupo saiu robustecido por nomes fortes com estatura para concorrer a cargos majoritários, tais como: Lucas Barreto, Randolfe Rodrigues, Papaléo Paes, Davi Alcolumbre e Jorge Amanajás. De que forma esse time vai concatenar as jogadas, isso vai depender de como vão se entender a partir de agora, mas é certo que essa relação será decisiva para as pretensões visando o jogo de 2014.
De outro lado, o grupo de partidos que se formou em torno da candidatura do atual prefeito Roberto Góes, deverá se manter na raia, na tenativa de voltar ao poder. Não dá para desprezar o nicho eleitoral captado por Roberto que teve quase a metade dos votos em Macapá. Sem o controle da máquina municipal fica mais dificil, é verdade, mas é  suficiente para sustentar um projeto com vistas as majoritárias. Esse grupo tem como expoentes o ex-governador Waldez Góes, o ex-senador Gilvam Borges, a deputada Dalva Figueiredo e o próprio Roberto, prontos para a disputa.
Na outra ponta está o bloco  PSB-PT que controla o poder estadual. Foi o que teve maior prejuizo com a derrota de sua candidata a prefeitura de Macapá, ainda no primeiro turno. O desastre eleitoral acabou sendo debitado na conta do governador Camilo Capiberibe que acumulou mais desgaste com claro aumento no indice de rejeição. Mas, máquina é máquina, e especialmente a do Governo do Estado, que possui maior poder de fogo ou de caixa como queiram. 
Daqui até lá temos menos de dois anos e isso vai exigir esforço dobrado de Camilo para se recuperar, se quiser chegar com gás para disputa de 2014. A esperança está depositdada no programa habitacional, em andamento, indispensavel para criar as condições de disputa, sem perder de vista outras deficiencias, especialmente na saude.
Há um outro aspecto que precisa ser acompanhado por conta da movimentação do governador de pernambuco Eduardo Campos (PSB) que tem dado sinais de que pretende entrar na disputa presidencial. Se isso ocorrer, o PSB poderá ficar sozinho no Amapá,considerando que o PT tem seu projeto de reeleição de Dilma. 
Portanto, se se mantiverem as condições de temperatura e pressão, e nenhuma variavel interveniente aparecer, o cenário de 2014 já está pronto.
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Olimpio Guarany e jornalista, economista, publicitário, apresentador de TV e professor universitario.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sarney e “La Pepa”


Olimpio Guarany
Foi no oratório de San Felipe Neri, em Cadiz, Espanha, a 19 de março,  promulgada a constituição de 1812, documento que deu o grito de liberdade do povo espanhol. A Espanha, tomada por Napoleão, fervilhava. A terceira constituição democrática do mundo ocidental, com 384 artigos, foi escrita em tempo recorde. Era preciso aproveitar o entusiasmo do povo espanhol e a reação contra as forças de Napoleão. Durou pouco é verdade, mas foi um marco na história, ao ponto de servir de referência para constituição portuguesa e de outros paises ibero-americanos. 
A história
A constituição de Cadiz nasceu a partir da sequência das profundas mudanças sociais desencadeadas na Europa pela expansão do iluminismo, pela Revolução Francesa e pelo período de grande instabilidade sociopolítica provocado pelas guerras napoleônicas.
Enquanto Dom João VI desembarcava no Brasil com a familia real, o povo de Madrid reagia contra os franceses. Um movimento espontaneo ganhou corpo em todos os pontos da Espanha, as chamadas Juntas, que depois se transformaram na Junta Suprema Central, com sede primeiro em Aranjuez e depois em Sevilha.  As suas funções principais eram dirigir a guerra contra a ocupação francesa e preparar a posterior reconstrução do Estado. Neste quesito, admitia-se duas possibilidades distintas sobre o futuro político espanhol: a primeira delas, consistia na restauração das normas prévias da Manarquia Absoluta e o retorno à situação anterior à intervenção francesa; a segunda, liberal, implicava na promulgação de uma Constituição para o Estado espanhol e a modernização global das suas estruturas, de acordo com os preceitos liberais implícitos nas ideias iluministas e racionalistas. Venceu a segunda. Para escrever a Constiuição foram criadas as  Cortes Generales y Extraordinarias com poderes constituintes.
A constituição
Os principios fundamentais propostos foram ratificados, tais como: a soberania popular, reiterava que a soberania reside no povo e não no rei; a legitimidade dinástica de Fernando VII de Espanha como chefe de Estado; a separação de poderes, com a independência e inamovibilidade dos juízes; e a inviolabilidade dos deputados no exercício do seu mandato. 
A Constituição de Cádiz foi um grande passo rumo a democracia. Apesar de construida em pouco tempo atentou para a legalidade do momento, onde tudo foi discutido e acordado, determinando cuidadosamente quem eram os legítimos representantes do povo. Mas, durou pouco. Quando Fernando VII foi restaurado no trono, em Março de 1814, em consequência da derrota francesa na Guerra Penisular, foi obrigado a jurar que respeitaria a Constituição. Contudo, encorajado pelas forças conservadoras que dominavam a sociedade espanhola,  no dia  4 de maio de 1814 contestou formalmente a Constituição de Cádiz. Seis dias depois mandou prender os líderes liberais, alegando que as Cortes tinham reunido na sua ausência e sem a sua autorização. Com estes atos rasga a Constituição e restabelece a doutrina de que a autoridade soberana era uma prerrogativa pessoal do rei, não requerendo legitimação popular.
Os 200 anos
Essa semana, em Cadiz, Espanha representantes de todos os paises ibero-americanos se reuniram para comemorar o bi-centenário da  “La Pepa”  como foi denominada carinhosamente pelo povo a primeira constituição, por causa da coincidencia de ter sido promulgada no dia de São José. “La Pepa” é o diminutivo carinhoso de Josefa, alcunha que durante muitos anos foi utilizada como grito revolucionário pelos seus apoiadores espanhois. Para este evento foi convidado o senador José Sarney, ex-presidente da maior democracia ibero-americana, o Brasil. Sarney foi especialmente destacado para fazer a palestra de abertura e ressaltou a importância histórica daquele documento para o povo ibero-americano. 
Responsável pela histórica transição democrática, José Sarney é reconhecido, também, no exterior como um democrata de alto galardão, um homem que sempre defendeu as liberdades e a cidadania. Foi ele quem, na presidencia da República, criou todas as condições para que fosse escrita a atual constituição brasileira, uma das mais avançadas do mundo e teve o privilégio de promulgá-la.
Em Cadiz, no último dia 24, ao discursar para seus pares parlamentares e estadistas ibero-americanos,  durante o VIII Foro Interparlamentar Ibero-Americano, em comemoração ao bi-centenário da constituição espanhola,  Sarney destacou:  “Os princípios instituídos aqui em Cádiz há 200 anos permaneceram e se consagraram universalmente. Se, sem dúvida, eles se alimentaram das grandes gestações inglesa, americana e francesa, inauguraram uma linha própria, que abastece a tradição constitucional em todo o mundo, com destaque para o mundo ibero-americano, e, nele, o brasileiro”, 
Sarney foi além, ao dizer que  “Seguindo tais ideias liberais de La Pepa, discutia-se num Brasil que surgia como nação, a liberdade de imprensa, quando a imprensa nascia; os predicados da magistratura, quando surgia o Judiciário; o habeas corpus, quando o monarca era absoluto”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

NOTAS DA COLUNA , EM A GAZETA, 24.10.2012


Ressonância magnética

Tribunal de Justiça condenou o Estado a instalar o serviço de ressonância magnética na rede hospitalar pública até maio de 2013, sob pena de multa diária de R$ 2 mil. Isso é resultado de uma Ação Civil Pública assinada pelo promotor André Dias Araujo. Ainda estamos em outubro, portanto, há tempo suficiente para o Governo cumprir com o que decidiu o TJAP.

Tomografia

E o promotor André Dias Araujo já anunciou que nos próximos dias deverá entrar com mais uma Ação Civil Pública para obrigar o Governo a instalar equipamento de tomografia computadorizada na rede de hospitas do Estado nos moldes da ação que acabou de ganhar no TJAP. Ele diz que “são inúmeras as reclamações dando conta que o serviço tanto de ressonância quanto de tomografia não está sendo prestado adequadamente pelo Estado”,

Eleição na Unifap

O professor Padre Aldenor deverá encabeçar uma chapa para concorrer a eleição para reitoria da Universidade Federal do Amapá. O atual reitor Jose Carlos Tavares, no segundo mandato, não poderá mais concorrer, mas quem ele apoiar tem grande chance. Há quem diga que Aldenor é bem aceito tanto pelos os alunos quanto pelos seus pares.

Condenação

O STF condenou o primeiro réu do mensalão Marcos Valério a uma pena de ao menos 11 anos e 8 meses de prisão, além do pagamento de R$ 978 mil em multa, valor que ainda deverá ser atualizado. Com isso, os ministros garantem que o operador do mensalão terá que cumprir parte da pena na cadeia. Pelo Código Penal, acima oito anos de prisão, o regime é fechado.
Lei eleitoral
Até domingo, 17h, ninguém poderá ser preso, salvo em flagrante delito. Enquanto isso, quem deixar de votar terá que  justificar até o dia 7 de dezembro, mas vai pagar multa. Para quem concorreu no primeiro turno à prefeitura e não passou e à câmara de vereadores, o prazo para prestação de contar é dia 6 de novembro.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O jogo eleitoral



Olimpio Guarany

Essa semana o PSOL foi criticado pela oposição e por segmentos do próprio partido pelo fato ter aceitado a adesão dos grupos de Davi e Lucas. Vamos refletir. Critica da oposição é normal, afinal, em  guerra não se manda flores ao inimigo. Até ai tudo bem. Mas, e o fogo amigo? 
Pois é. O Brasil é um pais cujo sistema economico é o capitalismo, baseado no que hoje se chama de social democracia que começou ser implementada no governo FHC e avançou nos governos Lula-Dilma. Esse movimento que nasceu de uma ruptura dentro do movimento socialista concebido no século XIX por Marx e Engels, na verdade prega a evolução da sociedade através de um caminho natural, não de uma revolução.
Vale lembrar ao criticos do PSOL, sejam de que segmento forem, que o partido foi criado sob égide das regras politico-leitorais vigentes no país. Ora, se se aceitou as regras é dentro delas que se joga, do contrário, vai para a clandestinidade. Afinal, o objetivo de um partido politico não é chegar ao poder?
Nem a propósito, vale lembrar uma passagem da politica brasileira comentada por Otávio Oliveira, ex-prefeito de Macapá,  quando Miguel Arraes, um dos maiores ícones da esquerda brasileira, se candidatou ao governo de pernambuco. O país fervilhava. Durante uma reunião, um correligionário questionou: “Mas, Arraes você vai se unir aos usineiros a quem tanto combatemos?” Ao que virou e disse: “meu filho, precisamos ganhar a eleição, estamos numa guerra eleitoral, temos que vencer para chegarmos ao poder; a questão politica a gente resolve depois”.  Resultado: Seu governo foi considerado de esquerda, pois forçou usineiros e donos de engenho da Zona da Mata do Pernambuco a estenderem o pagamento dos direitos trabalhistas aos trabalhadores rurais, conhecido como Acordo do Campo, e deu forte apoio à criação de sindicatos, associações comunitárias e criou frente de trabalho para absorver trabalhadores de canavais durante a entresafra.
No atual cenário da politica brasileira uma linha tênua separa o que é direita e esquerda. Hoje há politicos de diversas matizes enfronhados em todas as siglas. A bancada ruralista, tida como de direita, tem representantes em quase todos os partidos. Há empresários filiados, alguns com mandatos, no PSB, PPS, PCdoB, PCB, PSOL e por ai a fora.
Na última eleição para governo em 2010, no segundo turno, Camilo Capiberibe, lidimo socialista, se aliou a Deus e ao diabo, para ganhar a eleição. Foi buscar apoio de Pedro Paulo do PP, cuja maior expressão nacional é Paulo Maluf, até setores por ele chamados de reacionários, entre empresários e politicos pouco recomendáveis.
No primeiro turno desta eleição, Lula pediu voto para Cristina (PSB)  porque queria derrotar Roberto e agora apóia o candidato do PDT que se alia a todas as matizes para se manter no cargo. 
Portanto é preciso acabar com essa hipocrisia, com esses pruridos imbecis e entender a realidade politica do Brasil. Se há dois candidatos, ou se vai para um lado ou se vai para outro. Dizer qual é o certo, isso para o eleitor. Não dá para pregar o voto nulo, porque isso atenta contra a democracia.
O certo é que as regras eleitorais estão postas e devem ser obedecidas. Clécio e Roberto fazem a grande final do segundo turno. Esta é a última semana. Os dois que coloquem seus times em campo em busca do voto e que vença aquele que o eleitor escolher. O resto é perfume.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Notas da minha coluna em A Gazeta


Passarelas

Entre as propostas incorporadas por Clécio Luis (PSOL), pregadas no primeiro turno por Davi Alcolumbre, está a construção de passarelas tanto nas áreas de ressacas quanto em avenidas de grande movimento.

Combate as drogas

Roberto Góes (PDT) disse ontem em entrevista ao programa Olimpio Guarany que vai criar uma secretaria especialmente para cuidar dos doentes, viciados em drogas. Defendeu acompanhamento junto a familia até internação, neste caso, segundo estatisticas em 4 meses 80% dos drogados se recuperam.

Áreas ressacas

Clécio Luis (PSOL) e Roberto Góes (PDT) tem propostas idênticas para evitar novas invasões nas áreas de ressacas de onde estão sendo retiradas as familias contempladas com programas habitacionais. Os dois dizem que vão limpar e urbanizar essas áreas para evitar novas invasões.

Voto nulo

Os caciques do PSB se reuniram e soltaram outra nota. Desta feita saiu com a recomendação a toda a militância: neutralidade no segundo turno. Isso quer dizer não votar nem em Roberto nem em Clécio. Um dos dirigentes do partido, Claudio Pinho, radicalizou ao dizer que a orientação é de votar nulo. Domocracia sem voto?

No  mesmo caminho

O PT seguiu na mesma direção de seu parceiro, o PSB,  e também recomenda que suas lideranças e militâncias fiquem neutras. Bem, ai não dá certo. O PT é um partido rachado. Desde o primeiro turno já se registravam dissidências. Neste segundo turno  se acentuou. Tem pra todos os gostos.

Crise no Hemoap

As imagens exibidas ontem pela TV Amapá revelam o desastre no Hemoap. Há estoques zerados como do sangue tipo O+, por exemplo, um dos mais utilizados. Não tinha uma só bolsa, ontem. O Hemoap já foi uma instituição modelo do estado, mas, pela incapacidade de gestão não está conseguindo fazer o minino.

Descalabro

É o vocáculo mais apropriado para definir o quadro em que vivemos hoje com o desabastecimento de combustivel. O pior é que ninguém consegue explicar tal situação. Como se trata de distribuição, venda e preço de combustivel, o assunto diz respeito a Agencia Nacional de Petroleo, portanto cabe ao Ministério Publico Federal entrar em ação e buscar uma resposta para a sociedade.