quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Querelas e bicos


Querelas e bicos

Olimpio Guarany

Fico impressionando como de uma para outra, às vezes do nada, e com ajuda de “iluminados” se formam querelas politicas no Amapá. Boa parte das vezes, a partir dos chamados ‘diabinhos’ ou fofoquinhas que logo ganham as  midias e viram uma crise politica.
A falta de habilidade de alguns politicos em expressar seus pensamentos também acaba gerando tais situações e logo que se vêem em palpos de aranha, correm para “desdizer” o que disseram que ele disse. Mas, o que nos remete a tudo isso? A falta de maturidade? Falta de liderança ou incapacidade de administrar determinadas situações. Ou uma coisa ou outra, o certo é que estamos, novamente, metidos numa crise. No cerne da questão a tão esperada parceria entre Governo-Prefeitura que virou Governo x Prefeitura.
Em uma ponta o prefeito Clécio Luis alimentou a possibilidade de receber ajuda do governo, cujo titular já tinha feito o primeiro gesto ao apoiar e votar no candidato do PSOL, no segundo turno. Na outra, Camilo Capiberibe que prometeu e criou expectativa de tal parceria, fazendo o povo acreditar que, finalmente, o Estado faria os investimentos necessários na capital. Nesses primeiros 45 dias com o aumento da intensidade das chuvas, os problemas, repetidamente, vividos pela população se avolumaram, sem que nada fosse feito. A prefeitura, sem dinheiro, está praticamente impossibilitada de se mobilizar e, o Governo, o primo rico, que poderia ajudar , se esquiva. Resultado: sofre a população.
Mas, e se pergutarem o que o Governo tem a ver com os problemas de Macapá? A resposta é simples: tudo. E é fácil entender: Macapá detém quase 70% da população do estado, onde é gerada grande parte da receita auferida pelo Governo que, portanto, teria obrigação de retornar em forma de investimento para amenizar os problemas do povo, os pagadores de impostos e a quem deveria ser revestida tal receita.
E porque isso não ocorre? Talvez por falta de compromisso, falta de grandeza. A justificativa argumentando que se o Governo ajudar a prefeitura vai beneficiar o senador Randolfe Rodrigues, potencial candidato ao Governo em 2014, aí é coisa de politico pigmeu.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

Notas políticas


Olimpio Guarany

Câmara Municipal
O vereador Acácio Favacho (PMDB), presidente da Câmara Municipal de Macapá está pleiteando o predio onde funciona o legislativo municipal que pertence ao Governo do Estado construido à época em que Annibal Barcelos foi governador nomeado. Acácio entrou em entendimento com o governador Camilo Capiberibe que se prontificou em atender o pedido.
Investimento
Acácio Favacho disse que, após o prédio ser incorporado ao patrimônio municipal, vai se mobilizar junto a bancada federal na busca de recursos  para amplia-lo e dotá-lo de estrutura capaz oferecer condições de trabalho aos vereadores e de atendimento ao público. O prédio da Câmara foi construido quando Macapá tinha uma população em torno de 100 mil habitantes.
Ação penal
A Procuradoria da República no Amapá move ação penal contra a deputada Sandra Ohama (PP) e mais duas pessoas. Tem a ver com a denuncia de compra de voto na eleição de 2010. Em outra ação ajuizada pela PRE, em final de 20120, pedindo a perda de registro de candidata, Sandra Ohama ganhou na segunda instância, no TRE, mas a Procuradoria recorreu ao TSE e continua sub-judice.
Pedra branca
Nada menos do que cinco candidatos concerrerão às eleições suplmentarees em Pedra Branca do Amapari que ocorrerão no dia 7 de abril próximo. Beth Pelaes , irmã da deputada Fátima Pelaese da coligação Força Jovem;  Francisco da Costa Cunha (PSOL) Genival Gemaque Santana pela coligação ‘Compromisso, Trabalho e Lealdade’ ; Ocir de Oliveira Lobato (PSB); e Wilson de Souza Filho pela coligação ‘Juntos pelo Povo’ .
Registro dos candidatos
Pela lei eleitoral, no prazo de 5 dias, contados da publicação do pedido de registro, qualquer candidato, partido político, coligação ou o Ministério Público poderá impugná-lo. Se ninguém for impugnado o juiz eleitoral publica os registros deferidos e começa a campanha.
Tapa buraco
Após saber que não terá dinheiro do Governo para recuperar as vias da cidade, o prefeito Clécio Luis (PSOL) detona, amanhã, a Operação Tapa Buraco. Teve que tomar emprestado o asfalto para diminuir a pressão.
Dinheiro perdido
Em entrevista a Carlos Lobato, 104 FM, Clécio Luis disse que sabe que tapar buraco é perda de dinheiro, mas terá que faze-lo porque é o que dá. Até porque a buraqueira acabou virando pauta principal da midia em Macapá. É só o que se fala.
Ceticismo
Depois das declarações do governador Camilo Capiberibe, remetendo exclusivamente à Prefeitura a tarefa de tapar os buracos, o prefeito Clécio Luis se mostrou cético em relação as declarações do Governador, em entrevista no dia seguinte, anunciando que vai asfaltar 20 km de vias, na capital.
Comprar o quê?
Sonhar não custa nada. Gostaria de saber  se transformar em realidade o sonho de fazer o Amapá crescer a partir das relações economicas com a Guiana Francesa. Em anos e anos de encontros sucessivos lá e alguns aqui, nunca se chegou a efetivação da pratica comercial entre os dois estados. Os guianenes nunca compraram uma agulha nossa. Esperar o quê?
Saude da criança
A Justiça federal decidiu que o Estado terá que fornecer o Neocate, uma produto para crianças intolerantes a proteína animal e a de soja.A decisão judicial atende a todas que, por indicação médica, necessitam da substância.  Uma lata de 400g da fórmula infantil custa em média R$150. Cada criança consome cerca de 20 latas por mês, ou seja, uma despesa mensal de aproximadamente R$3 mil. 

FRASE DA SEMANA:
“Garantir a manutenção da vida das pessoas é dever do Estado, mesmo que, para isso, seja necessário tratamento de alto custo”  George Lodder, Procurador regional dos Direitos do Cidadão(MPF)
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Olimpio Guarany,  jornalista, economista, publicitário e professor universitário, escreve todas as quartas e domingos, em A Gazeta.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Risco na JK



O secretário de Transportes Bruno Mineiro precisa dar uma passadinha na rodovia JK, nas proximidades da rotatória do Araxá. Dois enormes buracos se formaram quase na confluência com o final da Leopoldo Mavchado, o que obriga a quem dirige no sentido Fazendinha- Araxá fazer o desvio e passar para outra pista, aumentando o risco de acidentes.

Notas da coluna Olimpio Guarany, em A Gazeta


Pacto federativo
O senador José Sarney será convidado para coordenar a Comissão que proporá o novo pacto federativo para o Brasil. A idéia, entre outras, é tornar mais justa a distribuição de recursos arrecadados pelo governo federal com estado e municipios, via FPE e FPM.
Na Academia, será?
Sarney teria confidenciado a amigos que , ao final do mandato em 2014, pretende abandonar a carreira politica e tentar a presidencia da Academia Brasileira de letras, onde ocupa a cadeira 38 desde 1980. Mas há quem aposte  numa grande coalizão amapaense, jutando todos os espectros da politica estadual,  para garantir mais um mandato a Sarney. A ver.

Macapa 255 anos de história e querelas politicas



Olimpio Guarany

Sei que há aqueles que não gostam de misturar história com querelas politicas, mas como dissocia-las se boa parte da nossa história foi feita a partir de querelas politicas?  Então vamos pontuar umas e outras.
Era 1752 quando o governador do Grão Pará e Maranhão, Francisco Xavier Mendonça Furtado fez mais uma viagem a Macapá. Anteriormente havia aportado por aqui trazendo contingente de açoreanos e outras levas de pessoas procedentes de colonias além-mar de Portugal, para povoar o lugar.
Àquela época esse pedaço da provincia, incluido na proposta de ocupação e expansão do povoamento da Amazonia, politica desenvolvida pelo primeiro-ministro de Portugal, Marquês de Pombal,  sofria uma epidemia de cólera. O governador trouxe um médico e medicamentos de Belém, mas ao chegar teve que resolver um outro problema e usar de toda habilidade para mediar um conflito entre o comandante da guarnição do destacamento de Macapá, Manoel Pereira de Abreu e o chefe da igreja católica Padre Miguel Angelo de Morais. Os dois não se entendiam, e o recrudescimento do entrevero resultou numa decisão radical do militar que, além de não atender os pedidos dos sacerdotes,  suspendeu o fornecimento de alimentação.
Seis anos depois da fatidica visita,  era fevereiro de 1758, quando Mendonça Furtado, desembarcou em Macapá. Veio cumprir determinação do ministro Marquês de Pombal para transformar o povoado em Vila. 
Na manha do dia 4, aquela pequena comunidade que abrigava um timido destacamento militar, passou à categoria de vila e recebeu o nome de São José de Macapá, em homenagem a D. José, rei de Potugal. 
Em plena Cabanagem, diferente de boa parte do Pará que já havia aderido ao governo popular, houve grande reação das oligarquias locais, alinhadas com o Império. Sociólogos chegam a afirmar que essa resistencia só ocorreu porque aqui habitavam colonos trazidos das possessões portuguesas na Africa, portanto leais ao Estado conservador que se instalou no país com o advento da independência.
De lá pra cá, os registros da história se misturam as querelas politicas, mas isso é assunto para a segunda parte deste artigo que publicaremos no próximo domingo. 
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário  e professor universitário