sexta-feira, 17 de julho de 2015

Futebol na aldeia - Jogos do Xingu 2015


O futebol brasileiro vive uma crise técnica. Aquele futebol, jogado por Pelé, Garrincha e companhia, que encantava o mundo inteiro, não é mais visto em nossos campos. Mas os Jogos do Xingu 2015 estão mostrando que entre os indígenas o futebol ainda é uma arte
Meninas jogam futebol na aldeia Kuikuro

A geração da época de Pelé e a geração da época de Zico, jogou em campos de terra, a famosa pelada, o futebol brincadeira, o futebol arte. Hoje os clubes existem para formar jogadores em um sistema profissional e disciplinado. Porém, no Parque Indígena do Xingu, os campões ainda são de terra, e apesar de todos quererem vencer, o futebol ainda é uma brincadeira, jogado mais pelo prazer do jogar do que pelo prazer de ganhar. É o futebol da habilidade, jogado por Pelé e por Zico.
Essa é a opinião do especialista em políticas públicas e gestão governamental do Ministério do Esporte, José Ivan Mayer de Aquino, presente nos Jogos do Xingu 2015, que acontecem na Aldeia Kuikuro de 15 a 19 de julho. O especialista representou o ministro do Esporte que não pode vir até o Xingu porque está acompanhando a delegação brasileira no Pan-americano em Toronto, no Canadá.
Conforme José Ivan, pesquisadores alegam que o futebol foi criado através de práticas corporais indígenas dos séculos XV e XVI. “Então ele está incorporado na cultura indígena na elaboração que os ingleses deram e num modo brasileiro de se apropriar desse esporte. Em todas as aldeias que a gente vai sempre tem um campo de futebol”, disse.
Para o especialista, os não indígenas foram reorganizados para o futebol com o crescimento das cidades e a prática ficou restrita aos clubes, que condicionaram o futebol a uma lógica de mercado. “Diferente da minha época, jogado pé descalço, no asfalto, na quadra, na grama, na terra e éramos bastante felizes no tempo do Garrincha e do Pelé”, disse.
A seleção brasileira já teve alguns indígenas defendendo as cores verde e amarelo. O mais famoso deles foi Garrincha, o ‘Anjo das Pernas Tortas’. José Ivan espera ver novamente jogadores indígenas na seleção, porque “O futebol indígena manteve o ímpeto da brincadeira e da condição física dos atletas. Então hoje o futebol, na minha visão, com meus 62 anos e que transitei como peladeiro, vejo nessa aldeia a vontade que eles jogam, a aplicação, a alegria, o interesse e o entusiasmo, onde reside o bom futebol brasileiro... Os fundamentos básicos, essenciais, estão mantidos entre os povos indígenas... Eles têm as valências esportivas e habilidade motora”, complementou.

Futebol feminino também em alta
Entre os indígenas, o futebol também é bastante praticado pelas mulheres. Para o Ministério do Esporte, há um grande interesse no incentivo do futebol feminino. O que deve ajudar nesse crescimento, é a aprovação da MP 671/2015, que dá uma nova organização para o futebol brasileiro e um dos pontos é o fortalecimento do futebol feminino como prerrogativa para abatimento das dívidas dos clubes. “As mulheres indígenas estão praticando futebol e com grande qualidade e muito empenho”, disse.
José Ivan comunicou que durante os Jogos do Xingu 2015 será lançada a primeira etapa da 1ª Copa Brasil Indígena de Futebol Feminino, o qual terá fases locais, territoriais e nacional. Do Xingu será formada uma seleção territorial, que competirá com outras 16 seleções territoriais do Brasil a fase nacional, a ser disputada em março do ano que vem, provavelmente em Porto Seguro na Bahia.

Próximos Jogos do Xingu
José Ivan disse que o Ministério do Esporte está vendo os Jogos do Xingu 2015 com profunda admiração e respeito pela coragem da Prefeitura de Canarana e dos povos indígenas do Xingu, “que ao realizar esses jogos nos dá oportunidade de conhecer as várias modalidades de esporte indígena e modalidades ocidentais praticadas com o olhar indígena, e nos permite conhecer em loco a aplicação dos recursos que o Ministério dispensou para essa atividade. Como o dinheiro foi muito bem aplicado, irá abrir horizontes para a gente trabalhar com a pratica de esporte e lazer indígena”.
O representante do Ministério do Esporte explicou que no mês de abril passado foi realizado em Cuiabá-MT o Fórum de Políticas Públicas de Esporte e Lazer Indígena (Fopelin), onde foi sugerido a criação da comissão nacional de esporte e lazer indígena, confederação brasileira de esporte indígena, federações territoriais de esporte indígena e ligas de esporte indígena, entre outras.
Para orientar os indígenas do Xingu a criarem ligas e uma federação, será realizado durante os Jogos do Xingu 2015 oficinas ministradas por José Ivan, para que as aldeias façam os próprios projetos esportivos. “Creio que vamos ter no desdobramento desses jogos a certeza que esse recurso já rendeu frutos muito importantes na possibilidade de auto-organização e com isso antevejo a possibilidade de reeditar os jogos. A minha fala para o ministro será mais animada que os relatórios e vou dizer que vejo com muito bons olhos”, garantiu.
Outro objetivo da oficina será orientar os indígenas na documentação de práticas esportivas indígenas como o huka huka, colocando a documentação no formato de uma olimpíada territorial de redações em línguas indígena, onde essas práticas serão escritas na língua nativa e também em português, bem como fotografadas e desenhadas, para formar um grande livro que irá facilitar a transmissão desse conhecimento aos professores indígenas e não indígenas.

(Por Assessoria dos Jogos do Xingu 2015)
Babalu mostra para José Ivan artesanato produzido por ela

terça-feira, 14 de julho de 2015

Notas de hoje 14/07/2015


Macapá Verão

O público voltou a Fazendinha para curtir o Macapá Verão. Este ano a programação está bem melhor. As atrações musicais levaram um grande público no último domingo. A nota ruim é que uma cerveja estava sendo vendida a R$ 10,00. Não está caro ou estou por fora dos preços do mercado?

OAB Jovem

 Paulo Campelo, presidente da OAB,  deu posse, ontem, aos membros da subcomissões de jovens advogados da entidade. O evento lotou um dos plenários da Casa. A presidente da Comissão OAB Jovem, Eliane Dias, está entusiasmada com a participação dos jovens advogados nessa nova arrancada da OAB.

Conferência

Ontem mesmo foi lançada a campanha para a II Conferência Jovens Advogados que será realizada dias 13 e 14. Os conferencistas de grande now how vão falar sobre Práticas jurídicas, Prerrogativas dos advogados, Ética e valorização entre outros temas relevantes. Serão realizadas oficinas sobre Processo judiciário e Audiência trabalhista . Eliane me disse que serão realizados sorteios de bolsas de pós-graduação e os participantes receberão diploma. Bela iniciativa

Amadeu Cavalcante no projeto MPA

Nesta sexta, 17, o renomado cantor e compositor Amadeu Cavalcante faz show no Rodovia 010, na JK, próximo ao Marco Zero, como parte do projeto MPA. Os melhores sucessos da carreira desse brilhante artista amapaense serão apresentados para deleite do público. A Loren, filha do Amadeu, me disse que é só 10,00 o ingresso. Barato pra quem vai curtir uma bela noite de sexta, neste verão.


Collor de novo

O ex-presidente e senador por Alagoas, Fernando Collor, está às voltas com a Polícia. Hoje cedo estavam sendo cumpridos mandados de busca e e apreensão na casa dele em Brasilia e nas empresas Arnon de Melo, pertencentes a família, em Maceió. Collor é acusado de receber dinheiro sujo das propinas da Petrobrás.

Mixaria

Diante dos bilhões de reais que a quadrilha liderada pelo PT já roubou do país, os comprovantes de depósitos de R$ 50 mil encontrados no escritório do doleiro Alberto Youssef, em nome de Collor, são caraminguás.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Crise e empobrecimento



Olimpio Guarany

O Brasil vive sua maior crise política dos últimos 30 anos, bem maior do que a vivida em momentos que antecederam ao impeachment de Fernando Collor. Alem disso,  a crise econômica abala a economia interna e desacredita o país no exterior. 
A presidente Dilma parece perdida, sem capacidade de reagir diante do quadro em que vivemos hoje.É visível a ingovernabilidade. 
O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chegou a propor o rompimento do PMDB com o PT. Hoje, em entrevista a rádio Jovem Pan de São Paulo, ele afirmou que o PMDB já está afastado, na prática, do PT. Para ele, o Governo está sabotando o trabalho do vice presidente Michel Temer (PMDB-SP), coordenador politico de Dilma. O próprio governo se responsabiliza em desprestigiar Temer ao instante em que não cumpre o que ele acerta com os partidos da base. Tamanhas insegurança, instabilidade e descrença no cumprimento dos acordos, gera reação dentro do Congresso, consequentemente, a ingovernabilidade.
E qual seria a saída para o país? Difícil apontar um caminho curto para a solução. Se o regime fosse parlamentarista, cairia o Primeiro-Ministro e um novo gabinete seria formado; mas no presidencialismo não é fácil trocar um presidente que cai no descrédito, quando a maioria dos eleitores que votaram nele não o apóiam mais, caso de Dilma agora.
Buscar a saída pelo impeachment não seria uma boa alternativa, penso. Se Dilma fosse destituída, Michel Temer é quem assumiria. Isso poderia parecer um golpe do PMDB, legenda do vice que controla o Senado e Câmara. O desgaste para o país seria grande e pioraria nossa imagem no exterior. 
Por outro lado, a cassação do mandato de Dilma por abuso de poder e captação ilícita de recursos denunciados no TSE, considerando que um dos empresários envolvidos na Operação Lava Jato declarou ter doado dinheiro sujo pra campanha da presidente, seria outra saída? Talvez. Nesse caso teríamos nova eleição, partindo-se do zero já que o vice não assumiria, uma vez que a chapa inteira seria afastada. É triste saber que a oposição não apresenta alternativa. O maior partido oposicionista, o PSDB, tem três lideres, cada um com uma proposta, todavia sem grandes defesas. Os tucanos, sabe-se, não são de grandes embates políticos em época de crise. Na maioria das vezes preferem o muro.
Enquanto isso, os brasileiros assistem atônitos, sem capacidade de reação, sem mobilização, até por falta dessa prática. Fosse em outro lugar do mundo, o povo não sairia das ruas enquanto não arrancasse do poder quem tem 91% da população contra.
Diante de tamanha desesperança, resta-nos esperar o que vai sair desse angu. Sem solução, assistimos a inflação galopar, os juros dispararem, o desemprego aumentar e nosso dinheirinho perder o poder de compra. Resultado, empobreceremos cada vez mais
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário