segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Descendo a ladeira

Olimpio Guarany*

A cada desdobramento da operação Lava Jato e as novas descobertas de desvio do dinheiro público concluímos que o país testemunha o maior escândalo de corrupção da história mundial, protagonizada pelo PT e parte de seus aliados. Por ocasião de seu voto no processo da Ação Penal 470, do mensalão, o ministro Marco Aurélio se referiu a roubalheira como “um projeto criminoso de poder”. O mais triste e desalentador é que diante de tamanha crise política desde o início do atual mandato de Dilma Roussef, o país entrou num processo de recessão nunca registrado nos últimos 20 anos, o que leva à queda nos níveis de produção; aumento das taxas de juros;  desvalorização do real;  aumento da inflação; diminuição nos níveis de emprego;  rebaixamento das notas do Brasil pelas agências internacionais; sucateamento das empresas. Some-se a todas essas desgraças, a falta de governança, a incapacidade da presidente de apresentar uma proposta para sair da crise e o descrédito do Brasil no exterior.

A desmoralização

Com a prisão do marqueteiro João Santana, as provas da utilização de dinheiro sujo na campanha de Dilma poderão robustecer o processo que corre contra ela e Temer, no Tribunal Superior Eleitoral. Essa semana o ministro Gilmar Mendes que assume a presidência do TSE, em breve, disse que vai tocar o processo adiante, mas não garantiu se o julgamento ficará concluído até o final do ano. Isso nos leva a uma reflexão: Se a chapa Dilma-Temer for cassada antes do final do ano, quem assume a presidência, de acordo com a constituição, é o presidente da Câmara. E quem é ele? O deputado Eduardo Cunha, outro investigado e sobre o qual pesa uma série de acusações. Imaginem! Entretanto, ele terá que marcar, imediatamente, eleições diretas dentro de 90 dias. Agora, se completar dois anos e um dia e a atual presidente perder o mandato, o presidência da Câmara assume, mas terá que convocar o Congresso e a eleição será indireta, em 30 dias.
E você sabe quem é o terceiro na linha sucessória? O presidente do senado, Renan Calheiros, outro que já foi investigado e é acusado desde 2007 de falcatruas. Esse é o meu Brasil.

A saída

O Brasil carece de novas lideranças. A prova disso é que em recente pesquisa do IBOPE, todos os políticos pretendentes ao cargo de presidente da república tem índices de rejeição, altíssimos. Isso reflete exatamente o que o povo pensa dos nossos políticos. Lula, Aécio, Serra, Marina para citar alguns, foram reprovados nessa pesquisa. O pior é que se passarmos a vista no espectro de quem tem possibilidade de se candidatar com alguma chance, vamos ver que são velhas raposas das quais o povo já está cansado. O levantamento registrou o mais alto índice  de reprovação ao governo Dilma revelando que ela, praticamente, não tem mais condições de continuar.
Resta ao povo se mobilizar, ir às ruas dia 13 de março, se manifestar e exigir mudanças. Por outro lado, o mercado internacional, de olho nas potencialidades brasileiras, só precisa de uma sinalização para retomar os investimentos no país. Mas, enquanto o PT estiver no poder a tendência é cada vez mais o capital se afugentar e o retrocesso se agravar. Sofrem as atuais e futuras gerações. Levanta Brasil!
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*Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Ponto de Vista



Sucessão 2016
Estamos a oito meses das eleições municipais. Daqui até julho, mês das convenções partidárias, vai-se especular muito sobre os prováveis nomes que disputarão o pleito.  Considerando que os grupos que estão no poder atualmente são totalmente antagônicos, é certo que haverá uma polarização entre o candidato apoiado pelo governador Waldez Góes e o atual prefeito Clécio Luis, candidato à reeleição. Mas não posso deixar de considerar que ainda pode aparecer uma terceira via. Nomes não faltam, por exemplo, Lucas Barreto (DEM), Aline Gurgel (PR), Promotor Moiséis Rivaldo (PEN) e Ruy Smith (PSB). Os quatro estão classificados como pré-candidatos. O único certo mesmo para a disputa é o atual prefeito, até porque o governador não tirou da cartola o nome de sua preferência. Até 2008 havia uma máxima que dizia "governador não elege prefeito”, porém, Waldez, depois de impor uma humilhante derrota a João Capibaribe, em 2006, com prestigio em alta , apoiou Roberto Góes, em 2008 e o elegeu. Não foi tarefa fácil, afinal, àquela altura, Roberto passou para o segundo turno com uma diferença de 16% atrás do primeiro colocado Camilo Capiberibe. Foi uma virada histórica e o tabu quebrado.
E agora?
Olhando para o pleito de outubro próximo e sendo realista, vamos encontrar um Clécio em franca recuperação, depois de ter amargado um percentual de reprovação altissimo, e um candidato apoiado por Waldez que, pessoalmente, tem uma força eleitoral estupenda. Clécio tenta administrar um grupo heterogêneo que vai do PSOL ao DEM. Imaginem uma verdadeira arca de Noé, cada segmento com seus interesses. Soube que já há insatisfações só pelo fato da imprensa conjecturar em torno do nome para a vice. Ouvi até mesmo de Lucas que tem interesse em disputar. Bem. Então vamos pegar esse fato. Quem diria que o DEM sairia da base de Clécio e lançaria um nome? Aqui com os meus botões fiquei pensando lá na frente, na disputa de 2018 ao governo, para a qual já se anuncia o nome de Davi Alcolumbre (DEM). Seria mais seguro para Davi ter o prefeito efetivamente “seu”, do DEM, para apoiá-lo ou aguardaria que Clécio honrasse o compromisso de lhe devolver o apoio? Historicamente não se tem cumprido acordos longos demais, talvez daí habitasse nas cabeças dos homens do DEM essa idéia de abocanhar logo a prefeitura e ter uma base segura para apoiar o projeto do partido ao governo em 2018. Mas ninguém se elege por antecipação. Eleição é um jogo de guerra. No final saem vitoriosos, derrotados e feridos. O perigo no caso da união de DEM-Clécio são os feridos, suas mágoas e suas mazelas.
Do lado de Waldez
Haviam três pretendentes do lado de quem está no poder estadual. Com a desistência de Roberto Góes, ganham força os nomes de Gilvam Borges e Jorge Amanajás. Entregar uma secretaria forte a Jorge pode ter sido o primeiro sinal do governador, embora saibamos que Waldez é um homem que tem sempre o pé no chão e não desprezaria uma pesquisa para saber quem tem melhor chance. Mesmo que não escolha nenhum desses dois e parta para um terceiro - há quem fale em Papaléo Paes - o apoio de Waldez será decisivo para, no minimo, colocar seu candidato no segundo turno.
A terceira via

Entre os nomes colocados como terceira via, Aline Gurgel (PR) está alinhada com o governo. Poderia Waldez apoia-la? Sim. O fato de Aline ter-se lançado, independente de Waldez se manifestar, não quer dizer que não tenha a simpatia do governador. Ocorre que não se pode perder de vista, os interesses do grupo dos Gurgel. Eles tem um projeto de poder. Isso poderia ser um obstáculo para a união com Waldez? Não, desde que ficasse amarrado o compromisso deles não lançarem nome para concorrer com Waldez em 2018. E quem garante que compromissos a longo prazo serão cumpridos? O jogo está aberto.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

NOTAS QUENTES

Santo de fora
Com níveis de reprovação elevados e estimulado por Alberto Góes, seu principal conselheiro, o prefeito Robson Rocha mandou buscar um publicitário no Maranhão para trabalhar a recuperação de sua imagem. Vamos ver se santo de fora faz o milagre.
Pesquisa 
De. Da Lua   Foto internet)
Emergido dos movimentos estudantis, Pedro da Lua lança uma série de projetos para os estudantes. Por exemplo, o que prevê incentivo às pesquisas na escolas de ensino médio envolvendo os instituto de pesquisas do estado. Achei ótimo. Mas ele joga para plateia quando propõe um projeto de assistência específica a seu estudantil. Projeto de lei que cria despesas para o Executivo é inconstitucional.
Vale tudo
Na busca por filiados e simpatizantes vale tudo. A REDE Sustentabilidade anda promovendo happy hour  para juntar pessoas em torno do projeto do partido. Na última sexta o senador Randolfe Rodrigues e o vereador Nelson Souza dividiram a mesa de bar com direito a selfies e muito papo sobre política e até de futebol.
Estrago 
Essas hidrelétricas instaladas no Amapá vem desarrumando a vida de muita gente e fazendo estrago ao meio ambiente. Essa semana os atingidos por barragens se reuniram para apresentar uma série de denúncias à OAB. O presidente Paulo Campelo se comprometeu em atuar. Não pode ficar só no discurso.
Aqui tudo pode
O Brasil é o país da piada pronta. Os grandes projetos servem mais para enriquecer seus donos do que beneficiar a população. Vide rompimento da barragem em Mariana(MG). Pior é que a Campanha responsável pelo maior desastre ao meio ambiente que se tem notícia ainda lança um comercial na TV na maior cara de pau e ninguém faz nada. Se pra lá eles fazem o que querem e nada acontece, imaginem pra cá, onde nós não representamos nada para eles.
Zona Franca Verde
Sen. Randolfe Rodrigues (Rede) - Foto:Senado
Senador Randolfe Rodrigues (REDE) tomou a mão o legado do senador José Sarney, a Zona Franca Verde. Se juntou ao governador Waldez e está unindo forças para agilizar o processo de instalação.
Grandeza
Dizem que dois bicudos não se beijam, mas podem se unir pelo Amapá. Gostei de saber que Randolfe Rodrigues se reuniu com Waldez no Setentrião. Os políticos precisam ter grandeza, deixar as querelas de lado e trabalhar pelo Amapá. É isso que o povo quer.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Macapá 258 anos

Trecho do programa sobre Macapá em "O Repórter da Amazônia"

Essas terras onde se localiza Macapá eram chamadas de Nueva Andaluzia por determinação do Rei Carlos V da Espanha,  em homenagem a sua terra natal . O rei espanhol doou estas terras a Francisco Orellana, como prêmio pela descoberta do rio Amazonas. Em 1546, segundo registros, Francisco Orellana atravessou o Atlântico e veio para tomar posse, mas não chegou a desembarcar. Morreu dentro do seu Bargantim, em frente onde é hoje a cidade de Macapá.
Igreja de São José, o prédio mais antigo de Macapá.

Era 1751 quando o Capitão Francisco Xavier Mendonça Furtado assumiu o Governo do Grão com a incumbência de fazer o povoamento da região.Em 1752 Macapá era apenas um povoado que sofria com um surto de cólera, o que obrigou o governador a sair de Belém e vir  para ajudar no combate ao grande mal trazendo os medicamentos para a população. 

Ao chegar, Mendonça Furtado encontrou outro problema: o conflito entre o chefe do destacamento militar Manoel Pereira de Abreu e o chefe da igreja católica padre Miguel Angelo de Moraes. A situação foi apaziguada pelo governador. O militar que controlava tudo, se negava a atender aos pedidos dos sacerdotes, inclusive de alimentação.
Cap. Mendonça Furtado, gov. Grão Pará


Seis anos depois, era inicio de 1758, quando Mendonça Furtado aportou em Macapá. Estava em missão para definir os limites da Coroa Portuguesa na Amazônia. Sua comitiva era grandiosa.

No dia 2 de fevereiro nomeou os primeiros seis vereadores da Câmara Municipal e dois dias depois, em solenidade no pelourinho, em frente a igreja de São José, elevou o povoado à categoria de vila e deu-lhe o nome de São José de Macapá.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Bancos fecham amanhã

Apesar do decreto do feriado, passando de quinta para sexta,  editado pelo prefeito Cécio Luis, os bancos abrem normalmente amanhã, mas reabrem na sexta feira. Na segunda e terça fecham e voltam a funcionar na quarta 12h.

NOTAS DA SEMANA

De volta

Deputada Luciana Gurgel anuncia seu retorno às atividades parlamentares para o dia 10, após licença para cuidar dos problemas da gravidez. Márcio Serrão volta para o banco de reservas.

Sangue novo

Lucas da Gazeta, pré-candidato a vereador, faz sua primeira aparição na TV, dia 10, em horário destinado ao PR. Jovem, Lucas demonstra conhecimento sobre as questões cruciais de Macapá, especialmente as ligadas a juventude. É uma promessa.

Bailique

Parece que será restabelecida a energia elétrica no Bailique. A CEA demorou demais para tomar as providências. Foi preciso uma força tarefa reunindo parlamentares, o prefeito e o Ministério Público para fazer com que a Companhia cumpra sua obrigação. Apesar de ser de responsabilidade da CEA fornecer o combustível, prefeitura e Governo vão ajudar na aquisição do diesel.

Eleições municipais

Ainda sem partido, Clécio Luís trata de arregimentar alianças. Já conta com o DEM, PC do B, PSOL e PROS para formar o bloco. Trabalha com cuidado para não melindrar o vice Allan Sales, do PPS, mas já se dá como certo um outro nome para compor a chapa como vice. A ver.


Renúncia fiscal 
Governador Waldez Góes
Governador Waldez Góes deve baixar, ainda esta semana, decreto reduzindo a alíquota do ICMS para a venda de automóveis zero km. Lei aprovada pela Assembleia estabelece o piso de 12%. Atualmente o governo cobra 17% e o imposto é recolhido na fonte, ou seja, na hora em que a fábrica emite a fatura para a concessionária.

Estímulo

O Governo entende que a redução do ICMS é um estimulo às vendas e uma forma de evitar as demissões nas concessionárias. Aliás, as vendas de carros novos no Amapá caíram cerca de 34% em 2015, em relação ao ano anterior.

Pré campanha 
Vereadora Aline Gurgel
Aline Gurgel, pré-candidata a prefeitura de Macapá, viajou a São Paulo para fazer treinamento. Quer melhorar sua desenvoltura na lida com o público. Pessoas ligadas a vereadora dizem que ela tem se empenhado nos estudos sobre Macapá, inclusive de história.


Em recuperação 
Ex-presidente José Sarney
O ex-presidente José Sarney continua internado no hospital Sirio-Libanês, em São Paulo. Depois da cirurgia no ombro havia a expectativa de ele ser liberado essa semana, mas uma complicação nos pulmões fez os médicos aumentarem os cuidados e ele permanecerá na UTI.

Feriadão ( FOTO CLÉCIO)

Com o decreto do prefeito Clécio Luís transferindo o feriado do dia 4 para o dia 5 serão praticamente seis dias sem trabalho no serviço público municipal ou você acredita que na quarta-feira de cinzas vai aparecer alguma viva alma para trabalhar?

Lula e o Triplex

Olimpio Guarany

O aprofundamento da operação Lava Jato esquentou o clima de apreensão entre os que orbitam na atmosfera de Lula. Os procuradores  da Força Tarefa dizem que o ex-presidente entra de roldão nessa história, porque todos os apartamentos do edifício Solaris, no Guarujá, SP, estão sob investigação por fazerem, supostamente, parte de um esquema de lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás, via empresas chamadas de "Offshore".

Lula e o Apto. Triplex, Guarujá.
Essa semana Lula esteve na berlinda. Todos os noticiários citavam o nome do ex-presidente. Lula teria reagido com indignação e raiva, convencido de que se tornou alvo de investigação da operação Lava Jato. 

Análises preliminares concluem que essa operação foi a que chegou mais próximo de Lula. E para completar ainda recebeu o nome como referência ao apartamento triplex que seria do ex-presidente.

Ainda há os que se perguntam: Lula estaria sabendo de todo esse esquema gigante de corrupção montado dentro da estrutura do governo visando beneficiar o PT e seus aliados? Sabendo ou não, a sociedade brasileira já está convencida de que esse é o maior esquema de corrupção da história do país. Para o ministro Marco Aurélio, ao relatar o Mensalão, esse é um projeto criminoso de poder montado pelo PT.

O mais difícil é conseguir entender que, mesmo depois de todas as condenações do mensalão, alguns personagens daquele episódio continuaram no mesmo ritmo de corrupção e se enrolaram no esquema de desvio da Petrobras. Vide Zé Dirceu preso, outra vez.

Este é o Brasil
Essa semana um ministro japonês se demitiu depois que se noticiou que ele estaria envolvido num esquema de captação ilegal de recursos para campanha. Seria beneficiário de cerca de R$ 120 mil. Aqui se fala em milhões como Delúbio Soares que considerou R$ 3,5 milhões uma mixaria. O que mais me assusta é a falta de capacidade de indignação da população brasileira que a tudo assiste sem reagir. Esse esquema de roubalheira do dinheiro público é o responsável pelo Brasil chegar a situação em que está, hoje, com inflação crescente, desemprego, economia paralisada e até em recessão, sem perspectiva. E tudo fica por isso mesmo.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário