domingo, 17 de abril de 2016

"O Dia Seguinte"


Olimpio Guarany

 Hoje é um dia histórico para a nação brasileira. É o dia da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, na Câmara Federal. É certo que amanhecemos neste domingo cheios de expectativas.  De um lado a euforia dos que são favoráveis ao impeachment, graças ao placar divulgado ontem, em levantamento feito pelo O Estado de São Paulo, que dá vantagem a estes. Do outro está o governo jogando as suas últimas cartadas para evitar a derrota.
Não considero que hoje é um dia para festejar, porque não gostaria que chegássemos a esse ponto. Lembro bem daquele 1992 quando expulsamos o Collor do Planalto. Foi traumático, mas necessário. Agora, 24 anos depois, estamos na mesma situação. Motivos não faltam para o povo pedir o afastamento da presidente, pois o país está desgovernado há meses. A inflação subiu e o desemprego aumentou, enfrentamos a maior recessão econômica desde a década de 30. O país está entrando em depressão. Faltou responsabilidade. A presidente mentiu aos brasileiros ao mascarar nossas contas e dizer ao povo que estava tudo bem. O que se viu no ato seguinte, após as eleições, foi o descalabro que cresce a cada dia com o desequilíbrio nas contas públicas e a perda de credibilidade do nosso país no exterior. Numa economia globalizada, em que dependemos em parte do capital externo, o Governo sem crédito afugentou os investidores e o resultado foi esse que já citei acima.
Nos últimos dias, vimos em tom de desespero a presidente atacar seus opositores chamando-os de golpistas e, ao mesmo tempo, propondo um Governo de coalizão, de união, uma repactuação para reerguer o país, se o impeachment não passar. Mas como repactuar com quem ela chama de golpistas? Seria mais uma mentira?
Como será?
Não dá para saber como vai amanhecer o Brasil, amanhã, tendo a presidente afastada. Há os que acreditam que só o fato de mudar o governo, a economia passa a reagir. A gente sabe que não é bem assim. Assumindo o Temer, o Brasil vai levar um tempo, um bom tempo, para recuperar a posição que ocupava no período anterior a 2014. Não se pode esperar um milagre. Será necessário que o novo presidente chame o país e proponha um pacto. Temer precisa estar consciente de que seu governo será de transição e que cabe a ele a responsabilidade de dar o pontapé e acelerar nas reformas necessárias e indispensáveis para colocar o país nos trilhos.

As dificuldades
Não se pode perder de vista que os perdedores de hoje vão reagir e qualquer que sejam, estes vão ficar quietos e aceitar. Caso passe o impeachment - eles já anunciaram - o PT e seus aliados vão se mobilizar para sabotar o novo governo. Isso está no DNA do Lulopetismo. Ontem mesmo, João Pedro Stédile, líder dos Sem Terra, aliado de Lula, já anunciou que vai trabalhar por uma greve geral, em protesto. Caso o impeachment seja barrado, os que hoje são favoráveis ficarão quietos ou ocuparão a avenida Paulista, Copacabana, Praça Sete em BH, e a Esplanada em Brasília? Ninguém sabe ao certo como ficará o ambiente no Brasil. A única certeza que temos é que tanto Dilma ficando, quanto Temer assumindo, haverá dificuldades para governar. Será necessário um grande apoio popular para mover o Brasil na direção certa e, sobretudo, Deus na causa.
Eu já disse que a vida vai continuar, mas certamente o "Dia seguinte” virá coberto de incertezas.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário