segunda-feira, 25 de julho de 2016

O desenlace político e as perspectivas econômicas

Olimpio Guarany

Essa semana o Brasil registrou uma euforia no mercado financeiro. Isso é fogo de palha? Não. Os primeiros sinais de que o país tem possibilidade de retomar o crescimento econômico aparecem com os ventos que sopram do exterior trazendo os investidores motivados por maior confiança na gestão da economia, revelada em pesquisa recente.
É certo porém que ainda navegamos num mar de incertezas, apesar de todo o esforço do governo para melhorar o desempenho das contas públicas e a própria retomada da confiança após o anúncio da meta fiscal para o próximo ano.
O quadro favorável registrado na semana passado foi confirmado com uma maior demanda por ações na bolsa de valores e pela desvalorização do dólar. Aliás, o movimento de queda da moeda americana teve que ser estancado por uma intervenção do Banco Central, mas os sinais de queda continuam. Porque isso acontece? É que já se registra uma maior entrada de recursos estrangeiros provocada por uma taxa de juros mais atraente no Brasil do que em outras economias desenvolvidas. Para que você possa entender melhor, esse fenômeno acontece quando existe um excesso de liquidez no mercado lá fora. E onde isso ocorre hoje? Na região do Euro e no Japão, por exemplo, onde há taxas de juros baixíssimas e em alguns casos até negativas. Nos Estados Unidos os juros estão próximos de zero. O investidor dessas áreas fica desestimulado e sai mundo afora procurando onde há melhor remuneração para o seu capital.
O Brasil já poderia estar melhor, aproveitando essa situação que ocorre lá fora, mas as incertezas internas agravadas pelo quadro político e pelas contas públicas desequilibradas, aumentam  o grau de desconfiança do investidor.
Não dá para fechar os olhos para uma realidade concreta, ou seja, mesmo com todo o esforço do governo, ainda há um deficit imenso e uma dificuldade enorme para se fazer o ajuste fiscal pra valer.
O governo vai precisar muito do apoio do Congresso para mudar esse quadro. Vai ser necessária a aprovação de medidas mais relevantes que possam vislumbrar, a longo prazo, a melhora nas contas públicas, especialmente as que dependem das reformas como da previdência e trabalhista que entram em pauta no início do segundo semestre. Essas medidas geram polêmicas, são impopulares, mas necessárias para o equilíbrio das contas públicas.
Estendendo um olhar no panorama do planalto dá para ver que o presidente Temer sofre pressões dentro do próprio governo para ir além do que se espera das medidas de ajustes fiscais.
A equipe do Planejamento defende uma ampla lista de medidas econômicas para produzir, a curtíssimo prazo, a retomada do crescimento econômico, mas o grupo ligado ao Henrique Meireles, Ministro da Fazenda, quer que a recuperação econômica se dê de forma gradual e seja implementada com ênfase na responsabilidade fiscal.
Entendo que, mesmo com as boas perspectivas sinalizadas com a euforia do mercado financeiro na semana passada, baseada na confiança da atual gestão e com todas as alternativas buscadas dentro do Governo, a economia brasileira só retomará os rumos do crescimento com o desenlace politico resultado do afastamento definitivo de Dilma de Roussef.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário.

últimas noticias

Sucessão municipal

Mesmo com todos os esforços na busca de parceiros, o PSB, ao que parece, vai caminhar sozinho nas eleições deste ano. Há alguns dias líderes pessebistas tentaram conversar com o PPS do atual vice Alan Salles, mas ficou por ai. Pelo jeito o partido dos Capiberibe vai de chapa pura com Ruy Smith na cabeça.

Último suspiro
Bem que o deputado Ericlaudio Alencar ainda tentou, essa semana, convencer o PDT de que ele seria o melhor nome para a prefeitura, mas não deu certo. O partido vai apoiar a candidatura de Gilvam Borges do PMDB e ainda pode abrir mão de indicar o vice.

Quem seria? 
Waldez teria admitido a possibilidade de deixar para o PPS indicar o nome do vice como forma de atrair mais uma sigla para a coligação. E novamente Alan Salles seria o nome. Por enquanto o PMDB tem como certo na composição o PDT do governador.

Costura
Aliado de primeira hora no segundo turno das eleições de 2014, Jorge Amanajás que foi candidato pelo PPS, estaria atuando como principal articulador da ida do PPS para o barco de Gilvam. Seria uma espécie de retorno ao apoio que o PMDB emprestou a candidatura de JA nas eleições de 2010.

E agora? 
Acabou dia 20, quinta passada, o prazo para Clécio Luis responder ao grupo de Acacio Favacho (PROS) se aceitaria ou não a indicação por parte do atual presidente da Câmara Municipal do nome do vice. Ao que se sabe ele teria pedido mais prazo. A ver.

Estremecendo
Anotem ai para depois conferir. Se o grupo de Acácio - leia-se  PROS, Solidariedade de Ruzivan, e os aliados de Michel JK - não emplacar o nome do vice na chapa de Clécio Luis, a Câmara vai balançar no segundo semestre.

Novos rumos
É que se Acácio Favacho for para a oposição com seu grupo de oito vereadores, unindo-se aos demais parlamentares que estão do outro lado do balcão, o tempo pode fechar para os lados do prefeito.
Como assim?
Acácio Favacho vinha cumprindo, lealmente, seu papel de aliado do prefeito desde que está à frente da Câmara Municipal. A ele e seus aliados se deve a celeridade na aprovação de leis e outras medidas de interesse do prefeito Clécio, mas ao instante em que o prefeito lhe vira as costas, o caldo pode entornar.

Estrada 
Governador Waldez Góes inaugurou na última sexta feira, 22, a rodovia AP 010, no trecho entre Mazagão Novo e Mazagão Velho. O asfalto é de boa qualidade, a sinalização é perfeita, mas o motorista tem que tomar cuidado, pois o trajeto é muito sinuoso e repleto de curvas perigosas.

Sufoco
Não fosse a patuscada protagonizada pelo governo Camilo ao desviar o eixo da ponte do Matapi, este ano já teríamos uma bela festa de São Tiago, sem o estresse de ter que esperar uma hora e meia na ida e mais uma hora na volta, como correu na última sexta comigo. Imagino que, mesmo com três balsas, a travessia neste fim de semana será um sufoco.

domingo, 17 de julho de 2016

Os jogos e a lavanderia

Olimpio Guarany

Toda vez que o Brasil enfrenta uma crise econômica sempre aparecem os iluminados" com idéias mirabolantes eivadas de soluções. Outros só requentam idéias velhas como se tivessem descoberto a pólvora. Pois bem. A "cabeça privilegiada"  do senador Ciro Nogueira (PP-PI) logo trabalhou para ofertar  uma proposta de solução que pode melhorar arrecadação, portanto, um belo” instrumento de combate a crise brasileira. O iluminado” parlamentar piauiense apresentou um projeto que libera os jogos de azar no Brasil. Pronto. Caiu nas graças do presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). Claro. É que entre as propostas "salvadoras" de Renan está exatamente a aprovação da liberação de  cassinos, caça-níqueis, bingos e outros que tais. Pior, em regime de urgência.

O jogos de azar estão proibidos no Brasil desde abril de 1946. Quem acabou com a farra foi o então presidente Eurico Gaspar Dutra. À época foi constatado que os cassinos eram mais um antro de prostituição, lavagem de dinheiro e um paraíso para a atuação do crime organizado do que uma atividade econômica contribuinte para a melhoria da economia do país.

Do meu ponto de vista vejo que os defensores da liberação dos jogos de azar não passam de oportunistas querendo se aproveitar da fragilidade da opinião pública e das instituições públicas em momentos de crise. Entendo que o tema é polêmico, portanto é preciso ter muito cuidado com essa idéia de correr para a sua aprovação, sem que se promova um grande debate nacional. A reabertura de cassinos, bingos e caça níqueis, esses dois últimos fechados em 2004 depois do primeiro escândalo de corrupção do governo Lula podem  representar ameaça a um país já fragilizado, desacreditado e comprometido em seus valores mínimos.

Considero um despautério essa idéia da liberação do jogo. Pense bem. O Brasil está mergulhado numa grande crise provocada, principalmente, pelo maior escândalo de corrupção da história do país, grande parte relativo a lavagem de dinheiro.

Pincei alguns pontos da  brilhante" propostado senador Ciro Nogueira: os jogos de azar vão precisar de uma autorização. Casas de bingo voltam a funcionar. Fica autorizado também o funcionamento de videobingo ou bingo eletrônico. Cassinos ficam liberados em complexos de lazer. A fiscalização tem que ser da União. E o  jogo do bicho deixa de ser contravenção. Olha que maravilha! Os bicheiros deixam de ser contraventores! Pasmem! Numa só canetada, os bicheiros se transformam em homens sérios e honrados. Tenha santa paciência!
Pela lei,  todos os donos de cassinos, videobingos, caça níqueis  passam a ser empresários legais porque vão recolher seus impostos. Sim, mas e quanto isso vai significar em legalização de dinheiro roubado dos cofres públicos?  
Além de ser um meio fácil de lavagem de dinheiro, os jogos de azar, historicamente, sempre estiveram interligados ao tráfico de drogas e armas, portanto, meus amigos e minhas amigas, tenho todos os motivos de sobra para ser contra a mais esta pataquada que querem fazer com o meu país.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Os passos do sacerdote



A palavra sacerdote” tem origem no latim sakro-dots, ou seja, aquele que desempenha, que faz as cerimônias sagradas. Portanto, sacerdote é aquele que realizava os rituais e as cerimônias para que os homens se fizessem favoráveis a Deus (ou aos deuses, entre os povos antigos politeístas). A função do sacerdote é mediar o relacionamento entre Deus e os homens, fazendo ofertas e sacrifícios ao Senhor.
Vamos começar por este último parágrafo. Se olharmos o clero vamos ver que não são todos os que recebem o título de sacerdote, por sua formação teológica, que conseguem, na plenitude, viver o sacerdócio e, nem de longe, como o desempenhado por Jesus. Não vamos querer tanto, mas é certo que há alguns que se destacam pelo alto grau sacerdotal, simplesmente pela capacidade de se doar - e ai vão os sacrifícios - e de se atirar em ações que, na ponta do processo, vão resultar em benefício aos mais necessitados, aos menos assistidos - ai vão as ofertas.
É possível que alguém veja aquele homem negro, de origem humilde, passar e, simplesmente,  não dar nada por ele, como diríamos nós, os caboclos da região. Pois é, mas conhecemos o Padre Paulo Roberto e sabemos muito bem das suas ações sacerdotais e no que elas podem resultar.
Sob o meu ponto de vista, o Padre Paulo Roberto sai da mera condição de mediador entre Deus e os Homens para transcender e se entregar em sacrifícios que resultam em ofertas do bem para a sociedade. Lembro como se fosse hoje, mas foi há cerca de 12 anos num evento Encontro dos Tambores” na UNA - União dos Negros do Amapá quando participei de uma missa campal, momento em que fiquei verdadeiramente impressionado. Naquele dia descobri a incrível capacidade do Padre Paulo Roberto de se comunicar com aquela legião de negros” que ali reunia vinda das mais diversas localidades do Amapá. No primeiro momento duas coisas me chamaram a atenção: a ausência da indumentária tradicional de celebração e a forma identificada com que se vestia o padre com roupa e estola coloridas, exatamente para se igualar aqueles que ali estavam a celebrar. É preciso ter discernimento e capacidade de entendimento para chegar a esse nível. Eu diria mais: conseguir pregar o evangelho numa linguagem que todos ali entendiam, mesmo lançando mão de vocábulos pouco comuns aos estranhos àquelas comunidades, como eu, foi o máximo.
O Padre Paulo Roberto é assim mesmo. Quando idealizou, lá atrás, a Missa da Curaàs quintas feiras, nem imaginava que seria capaz de angariar tantos fiéis. Revelo-me absolutamente convicto de que a palavra fácil e larga, solta de sua boca, parte do coração e, carregada de fé, atinge em cheio aos que vão em busca de cura, principalmente para a alma.
Eu poderia ocupar esta página inteira para falar da performance sacerdotal de Paulo Roberto, mas não poderia deixar de citar uma de suas últimas investidas. Eivado de compaixão por aqueles que sofrem com o câncer, sem que recebam a devida assistência de quem tem tal prerrogativa, eis que o Padre Paulo Roberto cria o Instituto Joel Magalhães - IJOMA. Graças a credibilidade conquistada ao longo dos anos de sacerdócio, consegue envolver a sociedade e parte para a concretização de sua idéia. Reune uma plêiade de colaboradores e dedica o seu dia a dia na busca por apoio para seu projeto, e ao trabalho na assistência aquelas pessoas, em sua maioria, já sem esperança.
É este o Padre Paulo que há 25 anos recebia a missão para ser o mediador entre Deus e os Homens, a missão sacerdotal.
É este Padre Paulo que quero reverenciar, hoje, num reconhecimento que talvez seja pequeno demais para a grandiosidade do seu sacerdócio.
Que Deus continue iluminando seus caminhos padre Paulo Roberto.
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Olimpio Guarany é jonralista, economista, publicitário e professor universitário