segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A largada

Olimpio Guarany

Depois da largada, na última sexta, 26, com o inicio da veiculação da propaganda no rádio e na TV, vamos analisar como se configuram as candidaturas à prefeitura de Macapá.
Ficou melhor para visualizar depois que o Ibope publicou a primeira pesquisa, justamente antes de iniciar o horário na mídia eletrônica.
O resultado foi mais ou menos o já conhecido pelos levantamentos feitos anteriormente pelos partidos políticos, mas era preciso saber dos números para começarmos a entender.
Clécio Luis, por exemplo, mesmo tendo a reprovação de seu governo bem maior do que a tendência de voto, aparece na liderança, mas é seguido por três concorrentes que andam na mesma faixa: Gilvam Borges, Promotor Moisés e Aline Gurgel. Gilvam já é velho conhecido do eleitorado. Foi deputado federal e senador por duas vezes e foi o segundo na última eleição para o Senado. O Promotor nunca exerceu mandato popular e Aline, atualmente é vereadora.
Por que Aline e Promotor se saíram bem na primeira pesquisa? Primeiro pelo recall, a lembrança de que Aline fez uma pré campanha tanto na rua quanto na Câmara  se firmando como oposição a Clécio. Há, ao menos dois anos, ela vem centrando fogo no prefeito. Já o Promotor porque teve um bom desempenho na eleição passada, ficando em terceiro para o Senado, mas carrega consigo a desvantagem de ter pouco tempo de TV e Rádio, fundamentais, principalmente para quem é desconhecido.
O fato de Clécio estar na dianteira o tornará alvo dos três que estão atrás. Entendo que quem tiver munição e souber atacar, pode provocar desgaste e tirar votos do prefeito. Dos três, Gilvam foi o primeiro a atirar. Já no primeiro programa começou mostrar as promessas não cumpridas do atual prefeito. Aline e Promotor, por enquanto apenas se apresentaram, afinal ainda não são bem conhecidos da população. Se quiserem puxar o Clécio para dançar terão que afinar a pontaria.
A estratégia de Gilvam pode estar baseada na máxima de que é preciso polarizar com quem está em primeiro, considerando que a disputa polarizada chama a atenção do eleitor para os que estão nos polos. Atacar o Clécio mostrando que ele não cumpriu as promessas de campanha pode tirar votos do líder.
Outra estratégia - essa vale para os três - é apresentar um plano de governo que seja factível já que o povo sabe que vivemos uma crise e que o prefeito não vai ter dinheiro para fazer muita coisa. O ideal é jogar com a criatividade e se aproximar, ao máximo, de um plano realista. Nesta eleição quem falar a verdade pode melhorar a imagem junto ao eleitor. A história das eleições nos mostra que os políticos prometem muito e fazem pouco. Contribui para isso o desastre de Dilma que enganou o Brasil inteiro com  promessas mirabolantes sem que pudesses realiza-las, resultando no desencanto do eleitor.
Penso que para reverter a rejeição é preciso emplacar no adversário uma pecha que lhe provoque desgaste.
Ainda temos 35 dias para a eleição e numa campanha em plena crise os rumos ainda são incertos, por enquanto, só foi dada a largada.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Caminho sem volta

Olimpio Guarany

Daqui a oito dias se inicia o julgamento de Dilma Roussef no processo de impeachment. Nem que eu fosse jurista não anteciparia qualquer juízo de valor. É bom entendermos que Juízo de Valor é um julgamento feito a partir de percepções individuais, tendo como base fatores culturais, sentimentais, ideológicos e pré-conceitos pessoais, geralmente relacionados aos valores morais. A emissão do juízo de valor tem a ver com um julgamento sem com que seja seguido um pensamento imparcial, racional e objetivo sobre determinada situação. Isso eu não vou fazer, todavia não posso me furtar de emitir meu ponto de vista com viés crítico sob o meu pensamento, a respeito da política econômica.
É impossível não ver os erros cometidos pelos governos petistas desde 2003, decisivos para levar o Brasil a situação que hoje se encontra. Não me interessa fazer aqui uma retrospectiva longa. A partir de 2014 quando Dilma começou a desenvolver ações com base em idéias que eu considero estapafúrdias para buscar o segundo mandato, vi que o país caminharia para retrocesso econômico. Os ajustes teriam que começar lá atrás, mas Dilma preferiu a saída mais fácil.  Ao maquiar os números, mostrar ao país um quadro irreal não foi nada digno e ainda se arriscou ao fazer operações sem autorização do Congresso, segundo consta na peça que a acusou de improbidade administrativa.
A falta de capacidade de diálogo com o Congresso só piorou a situação. Sem sustentação no parlamentar, Dilma não conseguiu aprovar as medidas duras, mas necessárias que, aliás, ela fez questão de esconder durante a campanha. O  caldo entornou quando ela estabeleceu a queda de braço com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que admitiu o impeachment.
Pronto. O cenário para o desastre estava montado, afinal, o Brasil já havia perdido credibilidade internacional; o capital estrangeiro se evadiu, a economia entrou no processo de estagnação e, como consequência  vieram o desemprego, a inflação e o descontrole das contas públicas.
Com o afastamento da Presidente assumiu o vice, Michel Temer (PMDB), que adotou medidas sinalizando ao país a retomada do crescimento econômico. Mas temos que admitir que a interinidade gera insegurança tanto em quem está no comando quanto em quem pretende investir, seja ele capital estrangeiro ou nacional.
O povo brasileiro, ao que me parece, já está consciente de que não há mais clima para o retorno de Dilma. Ela teve todos os direitos de ampla defesa garantidos, e, ao que se vê, não conseguiu sensibilizar os senadores - os juízes - nem a população brasileira. Particularmente entendo não serem consistentes os argumentos da defesa.
Durante o processo do impeachment, o PT e a Dilma fizeram de tudo, até buscaram holofotes no exterior  tentando emplacar a idéia de golpe, mas, ao que parece, não conseguiram. Contribuiu para isso, penso, a descoberta do esquema de corrupção que drenou muitos recursos do país, segundo o MPF, organizado pelo PT.
Vejo como réquiem - a missa dos mortos - a defesa que Dilma pretende fazer, pessoalmente, a partir do próximo dia 29. Penso que é praticamente impossível ela se livrar do afastamento definitivo. Pra mim Dilma está no caminho sem volta.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Luz no fim do túnel


Olimpio Guarany


O Brasil ainda vive a pior recessão desde aquela que passamos na década de 30. Essa semana as noticias deram conta de que os números começaram esboçar uma reação, mas ainda estamos distantes da retomada dos níveis de atividade econômica como os que tinhamos antes da crise de 2008, piorada em anos seguintes e agravada nos últimos dois anos.
Aqui com os meus botões não vejo, a curto prazo, mecanismos que possam nos tirar desse buraco sem que recaia sobre a sociedade o peso de novos tributos. A previsão do déficit para 2016 está nos extertores e não dá para prever a reversão dessa curva tendo em vista que o Governo ainda não apresentou um plano, nem ações concretas, para redução do custeio da máquina pública. Ora, se a receita não melhora   porque a economia não reage, não vejo outra forma de se cobrir o rombo nas contas públicas, reduzir o elevado deficit sem, por exemplo, um profundo corte nos gastos e uma ampla reforma no sistema previdenciário, hoje com enorme déficit. Entendo que para atacar esse vilão serão necessárias medidas drásticas e impopulares, mas, ao que me parece, as únicas que se apresentam, no curto prazo, para reequilibriar as contas públicas e abrir os horizontes do crescimento econômico.

1.1. No nosso quintal

Como a grande maioria dos estados, o Amapá sofre com os efeitos da crise nacional além dos problemas locais. Como cada estado tem suas características e meios próprios para buscar a saída para a crise, o Amapá tem o privilégio de ter aprovada recentemente a Zona Franca Verde, mecanismo de incentivo fiscal que pode gerar atrativos para instalacão de industrias que possam verticalizar, ou seja, transformar as matérias primas típicas das vocações amapaenses, em produto acabado ou semi acabado , mas com valor agregado.
A vinda do superintendente da Suframa, Marcelo Pereira,  essa semana a Macapá  trouxe novas motivações para o Governo trabalhar na implementação da Zona Franca Verde.
Nada mais inteligente da parte do governador Waldez Góes em procurar conhecer como se desenvolve, hoje, a Zona Franca de Manaus após 50 anos de instalada. Se aquele mecanismo deu certo para o Amazonas, pode também, dar certo para o Amapá. Melhor ainda. Ao longo de todos esse tempo de funcionamento, os amazonenses corrigiram muitos erros e esse now how, esse aprendizado, pode ser transferido ao Amapá o que nos dá uma boa vantagem para trilharmos os caminhos do acerto.
Entendo que, além dos incentivos previstos na lei que instituiu a nossa Zona Franca Verde, o Governo deve criar seu próprios incentivos, como por exemplo, estabelecer alíquotas diferenciadas do ICMS, em alguns casos, até fazer renúncia total, desde que a empresa beneficiada garanta, por exemplo, uma certa quantidade de empregos. O Governo deixa de receber por um lado, mas tem o ganho social de outro, o que lhe leva a cumprir uma de suas missões.
Sei que não é da noite para o dia que se faz funcionar um parque industrial, especialmente com mecanismos novos como os previstos na Zona Franca Verde, todavia, esses primeiros passos, nos dão esperança de que se acende uma luz do fim do túnel.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista , publicitário e professor universitário